
“Portugal não é um país pequeno” contado na primeira pessoa no TAGV
O que fomos e como somos? A questão é o mote de “Portugal não é um país pequeno”, um espetáculo da companhia Hotel Europa que se apresenta esta sexta-feira no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), com sessão para escolas (14h30) e para o público em geral (19h30).
«Um país que não discute o seu passado é, de certa forma, um país que deixa de existir», avança a companhia de teatro para falar de um espetáculo «contado sempre na primeira pessoa» e que pretende, precisamente, «deixar que alguma dessa memória continue viva dentro de nós».
«Este espetáculo de teatro documental reflete sobre a ditadura e a presença portuguesa em África, em particular a vida dos antigos colonos portugueses através de testemunhos reais» é anunciado pelo TAGV, que terá em palco André Análio (ator e encenador) e Pedro Salvador, que vão multiplicar as suas vozes pelas de 30 portugueses cujas histórias de vida passam por Angola ou Moçambique.
Trilogia de espetáculos
«O texto deste espetáculo foi criado através de um processo de verbatim, que significa copiado palavra por palavra, o que se traduziu na escrita de um texto de teatro que utiliza fielmente as palavras das pessoas entrevistadas sobre a sua vida em África no Período Colonial Português», isto após uma «metodologia que combinou a recolha de testemunhos dessas pessoas e uma detalhada pesquisa historiográfica, criando um texto que retrata a complexidade da história recente de Portugal, no caso do fim do colonialismo português».
«Com esta criação, a Hotel Europa investigou histórias reais que se tornaram memórias e que com o tempo foram herdadas e onde as pessoas reais contribuem para contestar e reconstruir identidades culturais, trabalhando a forma como o teatro pode contribuir para a reescrita da história, dando voz a um grupo silenciado, trabalhando assim na transmissão da memória entre gerações», avança o TAGV.
Este espetáculo é o primeiro de uma trilogia para «ajudar a reescrever o colonialismo português» de teatro documental que exploram as fronteiras entre teatro, dança e performance, abordando temas como colonialismo, fascismo e comunismo ou ainda migração, ambiente e gentrificação, fazendo «pontes entre o passado e o presente» de Portugal, apresentados já em vários países.
Carreira nacional e internacional
O trabalho da Hotel Europa foi apresentado em Portugal, Espanha, Alemanha, Chéquia, Eslováquia, França, Itália, Brasil, Cabo Verde, Colômbia e Uruguai, tendo sido coproduzidos e apresentados em espaços como o Teatro Nacional D. Maria II e de São João, Culturgest, Teatro Municipal do Porto, São Luiz, Théâtre de la Ville, FITEI, Grec Festival de Barcelona, FIT BH, MIRADA, euro-scene Leipzig, AKCENT Festival.











