
Espírito solidário promove cuidados e um novo lar para a pequena Carriça
Nos primeiros dias deste mês, a vida da Carriça, uma mula (cruzamento entre égua e burro) com cerca de 30 anos, mudou radicalmente, atestando que «todos os animais podem ser adotados», refere Olga Ruth Silva, presidente da Condeixa Patudos, a associação de resgate e proteção animal por detrás desta história com final feliz, que contou (e conta) com a envolvência de outras pessoas que não mediram esforços para ajudar o “pequeno” animal de 1,40 metros de altura. O resgate foi feito em Proença-a-Nova, de onde chegou o pedido de ajuda das filhas do então dono da Carriça.
Emigradas em França, chegaram a Portugal na segunda semana de janeiro para o funeral do pai, tendo sido surpreendidas com o animal fechado e visivelmente maltratado, com sinais de desidratação extrema e cascos num estado lastimável (imagens e vídeos partilhadas no site de Diário de Coimbra) que o impossibilitavam de se manter de pé ou andar sem dificuldade. Caso a ajuda não chegasse em tempo útil, o destino da Carriça seria o abate. Valeu o contacto feito junto da Associação Patudos para que, em pouco tempo, Olga Ruth e José Miguel Malo se colocassem a caminho do município do distrito de Castelo Branco, numa viagem difícil feita «com muita chuva, frio e nevoeiro».
À chegada, a comoção tomou conta de todos, pelo estado bastante debilitado da Carriça, com as filhas do dono a sentirem “alívio” por regressarem a França com a certeza de que o animal ficaria em boas mãos. E, de facto, assim é. Pedro Gomes e a sua família, residentes em Montemor-o-Velho, são o “novo lar” da pequena mula que já encontrou no filho mais velho do casal um amigo para os pequenos passeios que poderá dar enquanto recupera, nomeadamente da inflamação nos cascos. Ao ver a publicação da Patudos no dia do resgate, Pedro não hesitou em manifestar disponibilidade em acolhê-la, uma vez que «tem espaço» e também um cavalo, sendo objetivo ter até quatro, um para cada elemento da família, como conta ao nosso Jornal.
Apesar do «estado muito debilitado», a Carriça «está a recuperar». É um animal muito calmo, refere Pedro Gomes, o que contribui para que seja mais fácil cuidar dele. Além do veterinário, uma das primeiras visitas que recebeu foi do ferrador Hugo Carvalho que lhe devolveu a possibilidade de voltar a andar como certamente já não andaria há anos, garante Olga Ruth. Hoje, a Carlota (como a batizou a presidente da Patudos), «move-se com mais conforto e começa finalmente a viver». Esta é apenas uma das muitas histórias da Patudos, associação que está de «portas abertas» para ajudar sempre que é preciso.
Mula resgatada com a ajuda do agora pai José
Tal como Pedro Gomes e Hugo Carvalho, também José Miguel Malo, que está a iniciar um projeto de criação de cavalos lusitanos na Anobra, teve um papel importante no resgate, ao disponibilizar transporte adequado e ao acompanhar a presidente da Patudos. «Não consegui ficar indiferente», garante, recordando a viagem difícil, não só pelas condições meteorológicas adversas como também pela extrema debilidade do animal. No final, o sentimento foi de «missão cumprida», numa noite em que as emoções estavam apenas a começar, com a esposa grávida (os dois na foto) a entrar em trabalho de parto.











