
Presépio de cortiça de Cantanhede: 11 anos a criar, 11 dias a montar
Um projeto de reciclagem de rolhas de cortiça, que começou em 2014, hoje em dia virou um Monumental Presépio em Cortiça. Samuel Machado, natural da Póvoa da Lomba, é o autor deste projeto, que «vem sendo aumentado gradualmente em peças e dimensão».
Em exposição na antiga Escola Primária Conde Ferreira, o presépio é composto por «algumas centenas de peças, figuras e animais, assim como umas dezenas largas de estruturas, casas», conta Samuel Machado.
Quem visitar este presépio «pode encontrar cenários de vida rural, de artes e ofícios de antigamente, como carpintarias, ferrarias, olarias, padarias e outros ofícios», que levam o público para os tempos mais antigos. Mas também é feito de «cenários que buscam um pouco do que eram outras paragens da altura», acrescenta o criador.
Um presépio já conhecido em Cantanhede pela altura de Natal, este ano apresenta algumas novidades em relação a anos anteriores. «Em relação ao ano passado é um presépio mais espalhado, onde foi alargada a área e foi possibilitado que quem venha visitar esteja mais próximo da exposição», afirma Samuel Machado.
Segundo o criador, «as peças não são fixas, ou seja, as casas, as figuras, os animais, a disposição é toda alterada de ano para ano», permitindo a reutilização e a inovação. «O que este ano é uma carpintaria, para o ano pode ser uma olaria ou uma retrosaria, ou seja, cada peça está solta e todos os anos volta-se a montar», conta.
Uma das características desta exposição são os seus pormenores. «O presépio é trabalhado com figuras de 12 cm, ou seja, não é uma escala de grande dimensão e como é um presépio que tem muitos pormenores acaba por requerer alguma proximidade da pessoa para ver», explica o natural da Póvoa da Lomba.
Devido a isso, «para apreciar esses pormenores, outra diferença deste ano, em relação ao ano passado, foi dividir o tabuleiro central em três tabuleiros mais pequenos. Além disso, a área com as figuras centrais foi aumentada, deixando que as pessoas tenham mais proximidade às peças, aos cenários criados e a tudo o que está exposto».
O presépio pode ser visitado até dia 6 de janeiro, durante a semana das 10h00 às 18h00 e ao fim de semana das 14h00 às 20h00
A abertura este ano, no dia 1 de dezembro, coincidiu com a inauguração das luzes de Natal em Cantanhede, assim como o início da programação da cidade para esta época. Este aspeto trouxe uma «abertura muito participativa», refere Samuel Machado. Mas a boa adesão do primeiro dia não se ficou por aqui e o criador do projeto exalta «a adesão muito positiva» até ao momento. «Já vieram cá dois grupos em que foi feita a explicação e contextualizar do projeto», menciona.
«O feedback também tem sido muito positivo relativamente às ideias que diferenciam este presépio», destaca. Para o criador, «este presépio não é melhor, nem pior, não é maior, nem mais pequeno que os outros, é diferente».
O presépio está exposto até 6 de janeiro e pode ser visitado todos os dias, exceto no dia de Natal e no Ano Novo. Durante os dias de semana abre às 10h00 e fecha às 18h00, enquanto ao fim de semana funciona das 14h00 às 20h00.
Há expectativa de criar novas peças alusivas ao concelho no próximo ano
Apesar da exposição deste ano ainda estar a acontecer, nos últimos anos este presépio tem estado sempre em crescimento, sendo adicionadas e renovadas novas peças.
Samuel Machado partilha a intenção de recriar «duas ou três peças emblemáticas do concelho de Cantanhede, como a Casa Gandaresa e uma ou duas fontes características de Cantanhede, como é o caso da Fonte de Ançã». «Gostaria de começar a recriar e de trazer um bocadinho também para este imaginário de presépio desses monumentos», confessa.
Porém, Samuel Machado afirma que primeiro tem de ser feita uma análise de se será fazível, visto que poderá não haver tempo para as fazer, construir e para as integrar aqui».
A criação do cenário do ano seguinte também está dependente de outros fatores. Por exemplo, «quase todas as peças presentes este ano foram mexidas para afinar pormenores e retoques, visto que numa montagem como esta há sempre qualquer coisa que parte ou que se estraga», partilha o natural da Póvoa da Lomba.
Apesar destes aspetos que dificultam a manutenção das peças, são os mesmos que tornam o presépio único.











