
Escolas fechadas, 85% dos autocarros parados, lixo por recolher e consultas canceladas
Escolas fechadas, muitas consultas canceladas e poucos autocarros a circular. A greve geral, decretada pela CGTP e pela UGT contra o pacote laboral proposto pelo Governo fez-se sentir um pouco por todo o país e Coimbra não foi excepção, com especial impacto na educação, saúde e transportes públicos.
Maria Amélia, de 77 anos, é uma utilizadora regular dos autocarros dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), mas, ontem de manhã, a alternativa que encontrou para ir até à Baixa foi o Metrobus, que manteve a operação preliminar na sua totalidade, mas com reduções nos serviços alternativos ao ramal da Lousã.
É que, como referiu ao Diário de Coimbra Jacinto Santos, coordenador da UGT em Coimbra, a paralisação nos SMTUC rondou os 85%. «De 40 autocarros saíram oito», referiu, fazendo alusão ao período da manhã.
Também nos comboios, se sentiu o impacto da paralisação, com alguns comboios suprimidos.
Na área da educação, a greve de pessoal auxiliar e pessoal docente levou ao encerramento de «todos os agrupamentos», adiantou Jacinto Santos. Desde jardins de infância a escolas básicas e secundárias, a mensagem era idêntica: «escola fechada por motivo de greve».
Na Solum Sul, por exemplo, a adesão à greve de três funcionárias no período da manhã levou a coordenadora Ângela Rodrigues a colocar o aviso no portão às 8h30 em ponto.
A Escola Secundária de Avelar Brotero ainda chegou a abrir, encerrando pouco depois, como contaram ao Diário de Coimbra João Sobral, Maria Sousa, Gustavo Gomes e Letícia Ribeiro, alunos do 10.º ano.


Na saúde, adiantou Jacinto Santos, registou-se «uma forte adesão». O Hospital dos Covões, salientou, funcionou apenas com os serviços mínimos e, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), houve serviços administrativos que não foram além dos serviços mínimos, garantiu, com alguns indicadores a apontarem para serviços reduzidos a 20% da capacidade, o que levou ao cancelamento de atividade programada. Na alimentação hospitalar, os sindicatos garantem paralisação total.
Faustino saiu bem cedo de Seia na ambulância de doentes não urgentes dos bombeiros locais para estar nos HUC bem cedo para realizar dois exames e ter uma consulta de oftalmologia que aguardava há três meses. Devido à greve, fez apenas um dos dois exames e a consulta terá de ser remarcada.
Já José Magalhães, da Nazaré, teve «a sorte» de não ver a consulta de cirurgia vascular adiada. «Correu bem», adiantou, salientando que, quando se fez à estrada para percorrer os 100 quilómetros até Coimbra, estava bem ciente de que poderia regressar a casa sem ser atendido.
Ainda na área da saúde, os sindicatos apontam para «forte perturbação» nas unidades de cuidados de saúde primários. O nosso jornal esteve no Centro de Saúde Norton de Matos, onde a USF Briosa estava encerrada, a USF Norton de Matos a funcionar com cerca de metade dos profissionais, enquanto na USF Briosa estavam ao serviço apenas uma enfermeira e uma administrativa.
Há ainda indicações de que algumas instituições bancárias terão encerrado. «Algumas funcionaram apenas com o gerente», referiu Jacinto Santos.
Nos Sapadores de Coimbra, a adesão foi na ordem dos 90% e no serviço de recolha de resíduos, a percentagem foi idêntica, concluiu Jacinto Santos.|












