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“Cantigas na boca e amor no coração” deram às marchas “caminho p’andar”

Sardinhas, música, tradição e, sobretudo, um sorriso em todos os rostos. A Baixa de Coimbra não esticou uma passadeira vermelha aos marchantes, mas deu-lhes um percurso repleto de paixão para viver “os santos”

A época dos Santos Populares está “aberta” e ontem a Baixa de Coimbra encheu-se de cor, música e amor para que os marchantes dessem a conhecer meses de trabalho. Entre trabalhos de costura, design, construção de adereços, preparação de danças e das próprias músicas, todos os participantes se uniram para apresentar um conjunto de projetos únicos que deram vida à Baixa.

Ainda se sentia o sol e o calor quando as primeiras marchas arrancaram pela Praça 8 de Maio para mostrarem os seus “dotes”. Com muitas pessoas a aproveitarem, também, para jantar as típicas sardinhas, o ambiente começava a construir-se aos poucos, sempre com cada vez mais visitantes a rodearem as ruas para apreciar todos os grupos.

A principio apresentaram-se quatro grupos fora do concurso de marchas, tendo São Martinho do Bispo sido a primeira “turma” a apresentar-se como “concorrente”. Cheios de cor e animação, honraram a tradição de ir ao rio lavar a roupa e das viagens de barco, tendo mostrado à comunidade um grande momento de bailado.

Mantendo a temática da água, Olivais e Celas seguiram-se, em conjunto, utilizando o tema dos Descobrimentos como mote para uma exposição “azul”. Os figurinos, que apresentavam uma representação do marinho, acompanhados de adereços como tesouros e barcos, fizeram as delícias da população que, repetidamente, gritou «a marcha é linda» enquanto passavam. Simultaneamente, as palmas ritmadas e, quem sabia, a letra dos temas, seguiram os marchantes que, de sorriso no rosto, apreciaram o acompanhamento.

Tradição das marchas populares continua muito animada e atraiu milhares de pessoas à Baixa de Coimbra na noite de ontem

A emoção foi falando mais alto durante as atuações que, apesar de apenas durarem cerca de 15 minutos, traduziram da melhor forma o trabalho efetuado ao longo de quase um ano inteiro. Para muitos, é uma “diversão” que acompanham, até “fora de casa”. «Vim ver em Coimbra porque depois também vejo em casa», comentou a dona Antónia Soares que, com os seus 85 anos, já acompanha as marchas populares há «mais de 80 anos».

Para Antónia não importa onde são, «importa é que possa ir». «Já fui à Madeira quando era nova. No ano passado não pude ir a nenhuma, estava no hospital», o que a motivou a fazer a viagem a Coimbra. A verdade é que considerou estar «fora de casa» porque, apesar de ter nascido na cidade, sempre viveu em Penafiel, onde ainda mora.

Com o continuar da noite, a comunidade foi-se juntando ainda mais, tendo chegado aos milhares distribuídos pelas ruas, entre jovens e adultos, alguns mais curiosos com as marchas, outros mais pela comida e bebida associadas à festa. Mesmo assim, o objetivo era um: diversão.

Junho vai continuar a seguir com os Santos Populares por todo o país e continuarão como Antónia Soares afirma: «muito animados, com muita família porque somos todos uma família nestes dias, é assim a tradição». E, deste modo, os grupos vão seguir por todo o lado com «Cantigas na boca e amor no coração», como os marchantes de Eiras explicaram, animados, na sua bela marcha.

Junho 7, 2026 . 10:50

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