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“Natal de Afetos” levou jazz ao Hospital Pediátrico

O Natal na ala de pediatria de Coimbra chegou mais cedo. Ontem foi a vez da Orquestra de Jazz levar um “estilo de música diferente” aos utentes

O Natal é uma época única no ano onde o espírito de união e entreajuda chega a todos. No Hospital Pediátrico de Coimbra, alguns dos utentes não vão ter alta hospitalar antes de dia 25 de dezembro e, por isso, o conselho administrativo tem organizado várias atividades para dar a melhor experiência natalícia aos jovens. Durante a última tarde, com o apoio da União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila e do Grupo de Veteranos de Taveiro, a Orquestra de Jazz da Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra atuou para alegrar todo o hospital.
Foi durante cerca de trinta minutos que a “turma” de Rui Lúcio atuou, apenas com temas de natal, adaptados em versão jazz. O maestro indicou um sentimento forte de «partilha» aquando destas atuações, que já ocorrem há seis anos. «Apesar de ser, talvez, um lugar comum, é preciso identificar aqui um sentimento de partilha muito forte entre estes jovens. Muitos deles já estiveram aqui, foram utentes, outros não, mas há uma reação única quando as crianças aqui passam, em cadeira de rodas ou com o braço ao peito, e olham para nós com um sorriso e os nossos [jovens músicos] percebem a importância de aqui atuar».

«Sentir que há uma conexão é inexplicável e, só por isso, vale sempre a pena. Se pudermos fazer um Natal um pouco melhor para estas pessoas, com música, vale a pena» conta Rui Lúcio. Antes de “sair de cena”, o maestro reforçou a sua mensagem natalícia de «união». «Sabemos que quem vive nesta casa, sem ser os profissionais, está aqui por razões menos felizes, mas espero que o momento não deixe de ser mágico por essas razões. Se o Natal alertar uma vez para a união, mesmo que seja apenas uma vez por ano, devemos fazer esse apelo, para que se esteja mais presente».
Jorge Felício, coordenador do gabinete de musicoterapia do Hospital Pediátrico de Coimbra, destaca o relevo da música na saúde. «O som propaga-se pelo hospital, não fica apenas aqui, e isso é muito importante porque há aqui jovens que não podem sair dos seus quartos, das suas camas, mas mesmo assim podem aproveitar este momento único».

Concerto contou com temas clássicos de Natal, adaptados para uma vertente jazz que animou todo o público presente

Para além dos utentes, também os profissionais de saúde beneficiam destes momentos, que, sublinha o musicoterapeuta, contribuem para o bem-estar da equipa. «É importante não esquecer de cuidar dos cuidadores. Quando cuidamos deles conseguimos ter os resultados de sucesso que temos. É nos cuidadores que começam os serviços de saúde, se cuidarmos da sua saúde, física e psicológica, todos beneficiam».
As atividades levadas a cabo pelo Hospital Pediátrico continuam quase todos os dias, sempre com o objetivo de aproximar o natal aos utentes e garantir a «maior felicidade».

“É importante valorizar estes músicos porque têm realmente um dom único”

Em declarações, o coordenador do gabinete de musicoterapia do Hospital Pediátrico de Coimbra, destacou a qualidade dos músicos que atuaram, não só pelo seu «dom», mas pela participação ativa na saúde.
«Este dom não pode ficar fechado dentro do vosso “casulo”, tem de ser partilhado. A música tem esta qualidade que une as pessoas, e manifesta-se da melhor maneira através de vocês» refletiu Jorge Felício. O musicoterapeuta identificou ainda a importância da «voz» e da «frequência dos instrumentos» para ajudar a transmitir uma mensagem, que transmite «humanismo», que não se pode «dissociar de quem dirige o grupo».

Dezembro 10, 2025 . 09:20

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