
“BA-61” foi deslocada da Pampilhosa e expectativa é grande para o seu regresso
A locomotiva BA-61, que há décadas faz parte da imagem da Estação da Pampilhosa, no concelho da Mealhada, foi na madrugada deste domingo, 23 de novembro, deslocada. A autarquia anseia pelo seu regresso, expectante nesta “viagem”, que servirá de restauro para a locomotiva, para que na chegada venha a fazer parte de um projeto museológico da Pampilhosa, onde se inclui a mítica BA-61 e o ostentado “Challet Suisso”, por exemplo.
Durante uns dias, a BA-61 esteve tapada por uma lona. No sábado, ao final da noite começaram os trabalhos de deslocação, por funcionários da Infraestruturas de Portugal, tendo o reboque da locomotiva acontecido às 2h00 da madrugada do passado domingo, com destino a uma empresa de rações, na Zona Industrial de Viadores. Na segunda-feira estava prevista a sua deslocação para o Entroncamento, para que a recuperação aconteça no Museu Nacional Ferroviário.
Na sua «despedida», que ao que tudo indica é temporária, ainda se avistaram três pessoas da comunidade que não quiseram deixar passar em branco este momento. Contactado pelo nosso jornal, António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, confirma que a deslocação da BA tem como objetivo a sua recuperação.
«Vamos ver em que moldes isso será feito, mas há a garantia do seu regresso à Pampilhosa e é com isso que contamos», disse o autarca, garantindo ainda que «até já há uma reunião agendada com o Museu Ferroviário».
Quando a BA regressar à vila da Pampilhosa, o autarca não tem dúvidas de que à sua espera estará «um espaço museológico digno e que seja visitável, algo que faça parte do roteiro do Museu Ferroviário, onde queremos também incluir o “Challet Suisso”».
Andreia Morgado, recém-eleita presidente da Junta da Pampilhosa, espera que «a BA regresse, recuperada, para continuar a fazer parte da nossa identidade». «A BA faz parte do brasão da vila da Pampilhosa e só por isso faz todo sentido que esta esteja connosco», remata.
Recordamos que a história da “BA-61” foi mote para um documentário em novembro de 2017 - “Resiste BA-61”» - da autoria de Paulo Fajardo, repórter de imagem de profissão e residente no concelho da Mealhada. Na divulgação do seu trabalho podia ler-se que «a BA-61 é uma locomotiva a vapor única no mundo que entrou ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta em 1924, percorrendo o eixo entre Figueira da Foz e Vilar Formoso.
Mais de 50 anos depois, regressa à Pampilhosa no final da década de 80 como símbolo da terra, presente no brasão da vila. Contudo, um impasse sobre a sua titularidade entre a CP e a Fundação Museu Ferroviário, remeteram-na provisoriamente para um depósito de máquinas, onde permanece ao abandono há mais de 20 anos, vulnerável aos interesses alheios».












