
Os caminhos para a liberdade e as eleições de 1975
Na década de 70, num tempo de revoluções, quando pelo mundo os generais derrubavam regimes e assumiam o poder, Portugal fez diferente. Em terras lusas, em Abril de 1974, foram os capitães que fizeram a revolução, tomaram as rédeas do poder e firmaram a promessa de garantir a independência das colónias – onde fizeram a guerra, desde 1961- e de instaurar um regime democrático, que passava pela realização de eleições livres e justas, como até então nunca tinha acontecido. É esse percurso, essa história do país, essa memória e essa vivência com 50 anos que a exposição “Haverá Eleições. 1975: as primeiras eleições livres em Portugal”, ontem inaugurada no Convento de S. Francisco, em Coimbra, dá a conhecer.
Um percurso de descoberta, feita de fotografias, recortes de jornais, documentos, documentários, livro e gravações, entremeados com muitos painéis informativos, que oferecem o «espelho de um país», antes e depois de Abril de 74, e permitem «perceber como o país» mudou, salientou António Araújo, na inauguração. O representante da Assembleia da República, entidade promotora da exposição, em parceria com a Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, lembrou que «mostrar o que mudou» é um dos «trabalhos da Assembleia da República» e deixou um convite a visitar a exposição. «É importante ter algum tempo», disse, num alerta para a densidade da mostra, que «tem muitos vídeos, documentos e um documentário absolutamente extraordinário», da autoria de Cláudia Varejão.
Satisfeito, agradeceu à Câmara Municipal de Coimbra o facto de se ter colocado na linha da frente para receber esta exposição, com curadoria da cineasta Catarina Vasconcelos e do politólogo Pedro Magalhães. O objetivo da organização, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e da Constituição (a assinalar para o ano) era «ter um conjunto de atividades que não ficassem apenas na Assembleia da República ou em Lisboa».
Coimbra deu o passo certo para realizar esse desejo, acolhendo a exposição até 22 de fevereiro.
Uma «exposição pedagógica», que recorda e apresenta o país antes e depois de 1975 e que «lembra que a democracia é uma aquisição pela qual temos que lutar diariamente, pois nada está adquirido», fez notar Margarida Mendes Silva, vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, responsável pelo pelouro da Cultura, que sublinhou «o sentido de compreensão, responsabilidade e enorme vigilância e alerta» que a mostra encerra.
Maria Inácia Rezola, comissária das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, lembrou a estreia da colaboração com Convento de S. Francisco, em dezembro e 2022, com a exposição “Primaveras Estudantis”, que registou, em Coimbra, uma «dinamização como em Lisboa não se conseguiu». Resultados idênticos espera aconteçam com esta mostra, que retrata a «esperança», «o entusiasmo» e a «participação cívica» que mobilizaram o país, com «milhares de cidadãos a viverem pela primeira vez a experiência de exercer o direito de voto de forma livre, depois de décadas de repressão».
Inácia Rezola fez uma visita guiada à exposição, que começa, precisamente, com a apresentação do contexto histórico, de «um país apagado», onde pouco mais de um milhão de portugueses tinha direito de voto. Um país que se transfigurou e que em 1975, levou às urnas «mais de seis milhões de eleitores».











