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“O território não está sozinho” e a sua valorização é fulcral

Plano para recuperar terrenos e potenciais económicos na Serra da Lousã é um projeto piloto que se pode espalhar para todo o país. Objetivo é proteger a mata e fixar população

Fomentar a aposta num território saudável, em todos os seus aspetos. É este o plano de recuperação para a Serra da Lousã, após os incêndios que destruíram grande parte do terreno em agosto deste ano. As conversas de preservação e reflorestação iniciaram-se pouco depois do domínio das chamas, mas os planos só agora começam a ser delineados de forma concreta. O objetivo é fixar população com medidas atrativas para, numa segunda fase, implementar soluções «com futuro».

Apesar de não ser a única zona do território nacional afetada pelas chamas, a Serra da Lousã foi a escolhida para um “projeto piloto” que vai definir medidas de atratividade e de reflorestação que podem vir a ser o exemplo para o país. «Primeiro precisamos de ter pessoas no terreno. Medidas que atraiam as pessoas a fixar-se e a trabalhar o terreno, a candidatar-se a apoios e que façam da sua aposta, do seu trabalho, um exemplo. O Talasnal é um exemplo disso e a Cerdeira também» indicou Silvério Regalado, secretário de Estado da administração local e ordenamento do território.

Para o secretário de Estado é fulcral que sejam as pessoas a aplicar as medidas no terreno. «É determinante tornar o território atrativo para todas as pessoas. Assim podemos fomentar o crescimento económico através do turismo, mas, também, através da plantação de espécies autóctones» sublinhou Silvério Regalado.

“Reflorestar a Serra da Lousã”

Mesmo sem medidas aplicadas de forma direta - neste momento -, a iniciativa tem três pontos fulcrais para serem dinamizados, todos eles focados num futuro seguro e de crescimento sustentado.

«Queremos dinamizar a reflorestação de espécies de valor económico e ecológico reconhecido, como o castanheiro ou os carvalhos; depois queremos desenvolver rotas de turismo e comércio, com um plano de nome “Da Cinza ao Renascimento”; por fim queremos que estas sejam iniciativas da comunidade e da responsabilidade dos governos locais, com a promoção de uma participação cívica ativa e envolvimento empresarial», explica o secretário de Estado, que foi ainda mais longe: «relembro que, após estes momentos de decisões autárquicas, vai ser iniciado um processo de análise das medidas de ordenamento de território». Esta revisão tem em vista implementar novas medidas de apoio, como por exemplo os valores do financiamento das autarquias.

Medidas concretas para fins concretos

A estratégia, como explicado em conferência e em documento oficial, passa por reflorestar com espécies cujas características possam ser utilizadas na defesa da floresta contra fogos, mas que também forneçam “força” económica e sejam locais (os exemplos passam por castanheiros, nogueiras, medronheiros, sobreiros e carvalhos). Estas espécies são, também, fortes sequestradores de carbono. Para controlo do território, será utilizada tecnologia de Inteligência Artificial (IA) para analisar os riscos de incêndio, drones para visualizar os terrenos, sensores e “colares inteligentes” para colocação nos rebanhos.

No que toca à captura de carbono, a mesma está prevista ser recompensada, sendo paga por tCO2e (tonelada de dióxido de carbono capturada). Esta é uma das medidas de apoio direto às pessoas que investirem no território.

Todas estas medidas estarão ligadas diretamente com o governo local, apoios e patrocínios empresariais e, principalmente, com o desenvolvimento do “turismo de renascimento”, centrado na recuperação de territórios abandonados e em trilhos e roteiros a aplicar no programa “Da Cinza ao Renascimento”, onde serão valorizadas as visitas a zonas de inovação e certificações de produtos de desenvolvimento local.

Carlos Alves, presidente da AESL (Associação Empresarial da Serra da Lousã) indica que a iniciativa «é apenas um projeto piloto» nesta região, sendo que «não há áreas delimitadas para a sua aplicação». Neste caso os interessados podem candidatar-se a apoios para porem em prática as suas ideias, que beneficiam de incentivos fiscais e financiamento próprio, vindo de um total de 12 milhões de euros disponíveis.

“Manter o território dinâmico e atrativo” é um dos pontos fulcrais para o sucesso da implementação das medidas de proteção e desenvolvimento

P13 Conferencia Baixo
Serra da Lousã foi gravemente afetada pelos incêndios de 2025

“Guerra à burocracia” pode ser “a” solução

Silvério Regalado, secretário de Estado da administração local e ordenamento do território, relembrou que o atual Governo já declarou uma «guerra à burocracia» após perceber as dificuldades em implementar projetos, e esta pode ser a solução para o futuro.

«Percebeu-se que se perdia imenso tempo em burocracias e que esse tempo ficava perdido e as iniciativas desvaneciam. Queremos alterar esse paradigma» indicou.

Com uma primeira análise já efetuada, são vários os indicadores de sucesso das medidas previstas para a reflorestação da Serra da Lousã através deste novo projeto piloto. «Não queremos deixar cair esta oportunidade».

O cronograma entregue após os estudos prevê balizas temporais até quatro anos, divididas entre criação de um grupo intersecretarial, zonas-piloto e o arranque do MRV de carbono (0 a 90 dias); início de plantações, implementação de sensores e criação dos primeiros roteiros (entre o quarto mês e os primeiros 12 meses); escala de mosaicos produtivos, certificação de produtos e emissão de créditos (segundo ano); e consolidação, auditoria de impacto e replicação de resultados positivos (entre o terceiro e quarto ano).

Com estas previsões temporais, espera-se, ainda, que a escolha de três zonas-piloto e projetos de rápidos sejam implementados dentro de 120 dias, para dar o “primeiro passo” na recuperação do território e fomentar uma rápida aposta neste desenvolvimento.

Outubro 28, 2025 . 08:10

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