
Receitas da Amélia, livro que celebra o bem-estar sénior
Nunca nos seus 82 anos de existência pensou escrever um livro. E isso mesmo afirma, logo em arranque de conversa, Amélia Queirós. Mas a verdade é que o livro está pronto e vai ser lançado no próximo domingo, no Centro Cultural de Vila Nova de Poiares. Nele estão, explica a autora, «50 receitas». As que cabiam, explica, confidenciando que no seu leque de sabedoria gastronómica estão muitas mais e, quem sabe se depois de “As delícias da Amélia” não surgirá um novo volume.
Para já é neste que se concentra e é deste que fala, das 50 receitas de doces, das quais, com dificuldade e alguma insistência do Diário de Coimbra, elege algumas. «O quindim, o meu é grande, e o bolo de cenoura é um bolo com muita saída em Poiares, porque o meu leva cenoura, maçã, nozes e passas», explica Amélia Queirós, destacando que todas as suas receitas são iguarias que já existem, mas o que as torna diferentes é o seu cunho muito pessoal. «Tenho dicas», revela, explicando que ao longo da sua já vasta experiência foi aprendendo e aprimorando muitas receitas.
Amélia vai lançar um livro de receitas
Mas a vida de Amélia Queirós nunca foi passada na cozinha. Era, na verdade, funcionária na Câmara de Poiares mas, ao mesmo tempo, uma pessoa irrequieta sempre com vontade de saber mais. Nesta vontade um dia veio-lhe à ideia que tinha de aprender macramé porque viu o jeito de uma amiga para a arte. E foi aí, já reformada, que se deu a entrada para a associação iCreate, de Poiares, onde aprendeu macramé e muito mais e, ao mesmo tempo, a envelhecer saudável e ativamente. «Almoçava lá, comecei a levar sobremesas e assim começou a nascer a ideia de publicar um livro», recorda.
Pois se é verdade que escrever um livro seria um desafio novo, já na cozinha, tudo lhe era muito familiar. «Sinto muita alegria em mexer nas formas, nos tachos, partir ovos», confidencia, deixando conselhos a quem quer desenvolver a arte: «nunca cortar nas receitas e fazer tudo com amor».
De Angola para Poiares com a cozinha no coração
Amélia Queirós tinha 24 anos quando, ainda a viver em Luanda, Angola, se inscreveu num curso de culinária. A arte já lhe estava “entranhada”, mas queria «ter mais ideias». Depois, disso «nunca mais parei», recorda.
A vinda para Portugal, aos 31 anos, não lhe tirou o gosto pelo receituário e a porta de casa «sempre aberta para receber amigos» ajudou a manter ainda mais vivo o gosto pela cozinha, na medida em que cozinhava para oferecer a quem recebia.
Casou, teve três filhos e divorciou-se. Vive em Vila Nova de Poiares, sozinha, mas rodeada de muitas pessoas. Trabalhou até ao limite de idade, os 70 anos, depois disso teve mesmo de se reformar. Da Câmara, mas não da cozinha.
Frequentadora assídua de um café em Poiares, foi para esse estabelecimento que foi levando «bolas, empadas e doces para o café». «Vinha do trabalho, fazia e congelava e depois levava para o café», recorda.
Entretanto a reforma e a curiosidade pelo macramé encaminharam-na para a associação iCreate, onde é frequentadora assídua e onde encontrou o incentivo e apoio para publicar um livro de receitas. No próximo domingo, a partir das 15h00, no Centro Cultural de Vila Nova de Poiares, vai mostrar o resultado do trabalho dedicado em 50 receitas que dá a conhecer. Mas vai alertando: «gosto de fazer tudo: salgados, sopa, bolos, todos os pratos».











