Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Facit26 20260609
Pub Dc Lewiscapaldi 20260615
Legua Dc
Pub

E depois do cancro? Jovens relatam os desafios depois dos tratamentos

Associação Acreditar procura respostas para os desafios e necessidades dos jovens que, para além de enfrentarem um diagnóstico de cancro, sofrem o impacto físico e social da doença numa fase complexa da vida

“Quem são os adolescentes e jovens adultos com cancro em Portugal?”. Foi este o mote para a última conferência de um ciclo de conversas que pretendeu celebrar os 30 anos da Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro e que passou pelas quatro cidades onde a associação tem um núcleo - Porto, Funchal, Lisboa e, por fim, Coimbra - para debater e refletir «tópicos que afetam doentes, sobreviventes e pais» num esforço de «olhar para a frente, levantando problemas existentes e apontando caminhos possíveis», afirmou João de Bragança, presidente da Acreditar.
Com o intuito de perceber melhor quem são os adolescentes e jovens adultos com cancro em Portugal, «que se estimam ser cerca de 300 casos novos ao ano», como avançou Tiago Pinto Costa, a Acreditar desenvolveu um estudo para entender quais são os desafios e as necessidades deste doentes e sobreviventes de cancro, principalmente, porque falamos de uma faixa etária complexa. «Esta população existe e encontra-se quase em terra de ninguém», defendeu o coordenador do estudo, explicando que muitos destes doentes «não sendo crianças e nem adolescentes vivem, muitas vezes, transições de serviços da Pediatria para os serviços de adultos e vivem uma fase de início da vida adulta pessoal e profissional, «o que contribui para que se sintam mais sozinhos e perdidos».
Através de uma revisão da literatura científica sobre o tema e com base no estudo levado a cabo pela Acreditar - que recolheu mais de 300 respostas, sendo que 78% são sobreviventes - foi possível enumerar as maiores necessidades e desafios dos jovens com cancro e sobreviventes. Desde logo, a «necessidade de apoio psicossocial durante a fase após os tratamentos médicos», assim como a ausência de programa de transição e de acompanhamento após a doença», referiu Tiago Costa.
Os resultados do inquérito dão conta ainda de um «apoio psicológico insuficiente tanto para os doentes como para os familiares», «existiram também relatos de falta de apoio nutricional e físico», assim como relatos em que a doença afetou gravemente o rendimento escolar. «É importante referir que mais de metade dizem que a doença teve um impacto negativo ou muito negativo ao nível escolar e profissional», reparou Jéssica Pimentel, doutoranda em Psicologia no ISCTE, durante a apresentação do estudo. Segundo os relatos obtidos, o impacto negativo não foi apenas porque não conseguiam acompanhar o ritmo normal da escolaridade, mas também porque o rendimento escolar ficou abalado com as sequelas pós-tratamentos, como a falta de memória ou dificuldade na concentração.

Outubro 12, 2025 . 07:45

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right