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“Temos de pensar na saúde e não na doença”

A primeira cerimónia de abertura solene de aulas da, agora, ESEUC foi um sucesso marcado por condecorações de honra a duas “pessoas únicas”

Começa a ser traçado o percurso da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) e a cerimónia de Abertura Solene de Aulas, que decorreu ontem, deixou as expectativas elevadas. Com discursos de Tiago Saldanha, vice-presidente da Associação de Estudantes da ESEUC, de António Fernando Amaral, presidente da ESEUC, e de Afaf Meleis, oradora convidada e reitora emérita da Universidade da Pensilvânia, a sessão foi pautada por referências de acolhimento aos novos estudantes, mas, também, por momentos únicos de paixão à enfermagem.

Apesar do seu discurso ter sido em jeito de conclusão à sessão, Afaf Melei mereceu o destaque que lhe foi atribuído, o longo aplauso e, ainda, a condecoração com a Medalha de Ouro da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

«Este é um momento muito importante para esta faculdade que deve servir para cultivar novos conhecimentos e para se conhecer novos detalhes». Para além de uma “nova página” na história da ESenfC e da Universidade de Coimbra (UC), esta afigura-se como uma nova página no conhecimento. «A enfermagem tem muito para oferecer à UC porque é nova neste ecossistema, há novas perspetivas a desenvolver», comentou Afaf Meleis.

Passados os desejos à academia, a especialista figurou com uma aproximação humanista à Enfermagem, tomando como ponto de partida a «perspetiva de enfermeiro» e as problemáticas da Organização Mundial da Saúde (OMS). «Os 10 principais desafios da OMS têm de ser pensados por nós, enfermeiros, com um olhar próprio, individual, mas coletivo», indicou a enfermeira que dotou, ainda, esta perspetiva específica de uma «capacidade humana e empática» de resolver problemas.

A referência a algumas temáticas que, à primeira vista, não são claras no que toca à importância da Enfermagem, foi seguida de uma pergunta: «conseguem ver a vossa posição nestes pontos?», deixando aos presentes a “missão” de discutir e encontrar o enquadramento que liga a profissão e os desafios mundiais.

"É necessário haver liberdade de escolha para cada um traçar o seu próprio caminho"

Com a atenção da audiência em si, Afaf Meleis destacou «quatro C’s» que considera vitais para os enfermeiros, sendo eles «conceptualizar, criar, colaborar e comunicar», adicionando ainda um quinto, «curiosidade», fruto da intervenção de Tiago Saldanha. «É importante nunca perder a curiosidade, conceptualizar as ideias que queremos integrar nas nossas funções, criar soluções e deixá-las efetivadas para que outros as possam utilizar, colaborar com a restante equipa porque há sempre importância na colaboração com os outros e, finalmente, comunicar com quem trabalhamos, com os pacientes e com a sociedade», pormenorizou a especialista.

Num discurso desenvolvido e com muita atenção a problemáticas atuais, António Fernando Amaral atribuiu menções à necessidade de integrar os novos alunos, e a própria ESEUC, nas tradições académicas, mas sempre «com respeito e sem desvirtuar cada um».

Tal como Amílcar Falcão, reitor da UC, também o presidente da ESEUC mostrou preocupação com os resultados do Concurso Nacional de Acesso, evidenciando os detalhes “novos” como o retorno de dois exames para conclusão do ensino secundário e entrada no Ensino Superior como motivos dos «fracos números» encontrados. Apesar desta preocupação, o presidente relembrou que há outras “sombras” no caminho. «Até dezembro prevê-se a aprovação de um novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior [RJIES] e outros pontos estão em discussão que preocupam tanto, ou mais, que o descongelamento da propina. Estas são temáticas que preocupam a comunidade académica e que devem ser bem analisados», identificou o presidente.

Em representação da Associação de Estudantes esteve Tiago Saldanha que, de forma muito apaixonada, acarinhou o público com as suas palavras. «Esta é uma experiência única e especial. Não tenham medo de errar, é assim que se aprende. Estamos em processo de mudança, e cada mudança pede atenção, paciência e dedicação» indicou aos novos alunos, salientando que «é necessário haver liberdade de escolha para cada um traçar o seu próprio caminho», ligando numa mesma “estrada” a entrada de novos alunos na ESEUC e a entrada na UC pela instituição.

Outubro 10, 2025 . 11:20

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