Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Unicafarma 20260601
Pub Dc Facit26 20260609
Caminhada Légua
Pub

Uma exposição em 1937 alertou os cidadãos para perigos... da guerra química

Recordamos hoje no espaço de Memórias a inauguração de uma mostra de máscaras antigás na Escola Superior de Farmácia de Coimbra, que o jornal noticiou em junho de 1937

Na memória coletiva estava ainda bem presente o horror do uso de armas químicas em grande escala na Guerra Mundial de 1914-1918, responsável por mais de um milhão de baixas, entre mortos e feridos. Aqui ao lado, a Espanha era arrasada por sangrentos combates entre republicanos e nacionalistas, numa guerra civil que se estendeu por três anos, de 1936 a 1939. Enquanto isso, o rearmamento a toda a força da Alemanha, sob a liderança de Adolf Hitler, deixava antever a iminência de um novo conflito bélico global (a trágica II Guerra Mundial aconteceria entre 1939 e 1945).

Foi este cenário que enquadrou e despertou interesse pela “Exposição Bibliográfica de Material Antigás”, inaugurada na Escola Superior de Farmácia, da Universidade de Coimbra, a 25 de junho de 1937.
«São poucos os aplausos para quem, na hora presente, tomou sobre si o encargo dessa iniciativa, pois a população portuguesa vive na ignorância completa dos perigos da guer­ra química e há a absoluta necessidade de lhe mostrar todo o seu gravíssimo panorama, educando-a na defesa necessária», publicou o Diário de Coimbra, ao noticiar no dia seguinte a cerimónia de inauguração, que contou com o reitor da Universidade, João Duarte de Oliveira, o comandante da 2.ª Região Militar, general Gomes de Sou­sa, e o governador civil, Ferreira da Silva.

Exposição foi organizada pela revista "Notícias Farmacêuticas" e Escola Superior de Farmácia da Universidade de Coimbra

Em nome da revista “Notícias Farmacêuticas”, coorganizadora da exposição, Barros e Cunha, professor da Faculdade de Ciências, explicou os propósitos da iniciativa, frisando a necessidade de interessar a generalidade dos cidadãos, e em particular «o farmacêutico pe­lo papel que pode e deve desempenhar na disseminação de conhecimentos respeitantes à defesa passiva contra ataques químicos e em vários outros aspetos desta guerra – que por “Guer­ra de boticários” foi conhecida a de 1914-1918 –, onde muitos milhares de homens sentiram os terríveis efeitos dos gases». Preconizou, nesse sentido, que a Universidade passasse a lecionar cursos sobre guerra química.

O director da Escola Superior de Farmácia, Cipriano Diniz, apontou o interesse público do tema, lembrando que «países adiantados e previdentes, desde há muito se estão precavendo contra os agressivos químicos, ensinando e adestrando não só o elemento militar, mas também as populações civis para a sua defesa».

«E nesses países são em geral os farmacêuticos as pessoas indicadas e até obrigadas a prestar os seus serviços em caso de ataque, e sobretudo a possuir nas suas farmácias o material de defesa antigás indispensável», referiu, dando conta da «atividade de relevo produzida» na escola «sobre tão momentosos assuntos» e que os professores não se poupavam a esforços «para difundir e ensinar tudo aquilo que, no seu mister, possa servir a causa pública».

Da «curiosíssima e oportuna» exposição de material antigás, a primeira do género organizada fora de Lisboa, constava diverso «material bibliográfico, muitos e sugestivos gráficos sobre o desenvolvimento da aviação, dos ataques aéreos, guerra química e defesa da população, além de máscaras “Protectus”, “Puretha”, “Degea” e outras de tipos mais antigos».
Patente até final desse mês numa sala anexa à Biblioteca da Escola de Farmácia, a exposição «tem despertado a maior curiosidade na população de Coimbra que ali tem acorrido a ver os diferentes modelos de máscaras e a sugestiva coleção de gráficos da Defesa Nacional que mostra vários aspetos da guerra aero-química», adiantou este jornal, chamando a especial atenção dos leitores para o anúncio publicado na edição de 30 de junho, da «casa H. Vaultier & C.ª, de Lisboa, que expõe as magníficas máscaras “Degea”».

(Pode ler hoje esta e outras histórias e curiosidades na edição impressa do Diário de Coimbra. No nosso site estão também disponíveis quase três centenas de páginas de memórias dos primeiros anos do jornal)

Setembro 21, 2025 . 08:15

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right