
Semana de magia já começou a tirar “cartas da manga” e a surpreender
Foi em 1992 que o Festival Internacional de Magia de Coimbra se estreou. Apesar da diferença de moldes e de apresentação, foi aí que se começou a construir uma ideia que, de 1998 até 2025, se tem realizado todos os anos, como um marco cultural da cidade.
«Os Encontros Mágicos têm uma certa repercussão para além de uma “bolha” local. Fazem parte da programação regular da cidade, não foi desenhado assim, foi a cidade, a população, que desejou que assim fosse» explica Luís de Matos, mágico e diretor artístico do festival. Esta festa da magia é, segundo o responsável, uma oferta cultural “orgânica”, que já se afirmou de uma forma única. «Não temos aqui uma programação imposta, mas sim uma oferta que se espera, que é natural. Não é uma coisa que apareceu há dois ou três anos, e isso é um claro motivo de orgulho».
Esta longevidade dos Encontros Mágicos é recompensada, por exemplo, pelo público que acaba por interagir com os peritos recorrentes, principalmente Luís de Matos. «Há pessoas que me mostram fotos de quando eram pequenos com os pais e contam que agora já trazem os filhos. É um festival que acompanhou o crescimento da cidade, das pessoas, e isso é único». E para acompanhar a cidade e as suas mutações, esta festa afirma-se como um “descentralizador”, que oferece espetáculos em vários polos de Coimbra, como a Praça 8 de Maio, a Rua Ferreira Borges, a Praça do Comércio, a Rua Visconde da Luz, a Avenida D. Sesnando Davides, o Largo da Portagem, a Praça das Bandeiras do Convento São Francisco, o Mercado Municipal D. Pedro V e o Parque Linear do Vale das Flores, mas também, Torres do Mondego (dia 17, às 18h00), Trouxemil (dia 18, às 15h00), Eiras (dia 19, às 15h00) e Brasfemes (dia 20, às 15h00).
Magia toma as rédeas da cultura em Coimbra para a 29.ª edição de Encontros Mágicos, que se avizinha como “aperitivo” para 2026
Para “abrir as hostilidades”, Ben Woodward, mágico britânico, deu-se a conhecer a um grupo que começou pequeno, mas terminou repleto de população que, certamente, se rendeu aos seus encantos. «Na primeira atuação foi possível ver o Ben a virar uma adversidade [linguagem diferente] num ponto de comédia» começou por indicar Luís de Matos, numa análise que coincidiu com o objetivo do artista em ação: «Há vezes em que nem eu me percebo a mim próprio! Neste caso gosto de mudar um pouco o que faço e dar mais foco ao visual da atuação. É sempre um desafio muito feliz participar nestes encontros, adoro Coimbra, é um local muito culto». Até ao final da semana Ben garante que vai «apresentar rotinas diferentes» e espera que todos se «divirtam muito» porque é para isso que «todos nos juntámos».
A edição que se encontra agora em curso conta com a participação de Ben Woodward (Inglaterra) e Luís de Matos (Portugal), mas também com Billy Kidd (Canadá), Daba e Cielo (Argentina), Flip Mattia (Itália), Lucas Kaminski (Alemanha), Manolo y Mindaguillo (Espanha), Maurice Grange (Alemanha), Mind 2 Mind (Estados Unidos da América), Pepe Lirrojo (Espanha), Paulino Gil Rodrigo (Espanha), Read Chang (Coreia do Sul), Steve Faulkner (Inglaterra) e Zé Mágico (Portugal).
«Temos mágicos que receberam prémios de melhores do mundo há cerca de três meses, como Mind 2 Mind e Lucas Kaminski por exemplo, sendo esta a sua primeira atuação depois de lhes ser atribuído esse galardão. Isto prova que Coimbra e Portugal têm atratividade, mas principalmente mostra a importância deste festival a nível internacional», conta Luís de Matos. Para além dessa vertente, o mágico veterano realça ainda a importância social deste momento cultural. «Conseguimos ver turistas e locais, de todas as classes sociais, aqui reunidos, neste calor, a apreciar um momento que deixa a imaginação fluir, é muito bom e satisfatório. Para além destes momentos ao ar livre, temos também espetáculos para presidiários e doentes no hospital pediátrico e aulas de magia».
O Festival continua até domingo, com atuações todos os dias, que terminam com duas galas internacionais de magia, na sexta-feira e no sábado, pelas 21h30, no Convento S. Francisco, com os bilhetes disponíveis em ticketline.pt.











