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“Coimbra é exemplo” mesmo após 30 anos de espera e 200 milhões investidos

Sem um projeto finalizado, mas com “boas intenções”, foi assim que sistema de metrobus começou, oficialmente, as suas funções. Miguel Pinto Luz explica que não se pode pensar num “tudo ou nada” como solução para a mobilidade

Foi, como esperado, uma abertura com reações mistas. Chegou, ontem, o fim do período experimental do Metro Mondego, pelo menos entre a Portagem e Vale das Flores, circuito que passa a ter disponível o MetroBus como meio de transporte.

Com o “rolar das rodas” do metro, passa a ser possível fazer a travessia entre Portagem, Parque Verde, Colégios, Arregaça, Norton de Matos, São José, Solum, Fernando Namora, Casa Branca e Vale das Flores. São cerca de cinco quilómetros que ficam agora disponíveis para os passageiros... de Coimbra. A notícia de que apenas um trecho do projeto ficaria disponível foi recebida com críticas por parte de Miranda do Corvo e Lousã (ver texto lateral), mas não foi impedimento para que ficasse concretizada a abertura do projeto.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, esteve presente na “inauguração” e falou aos jornalistas sobre o avanço, tardio, deste «projeto de mobilidade». «Eu vi-me com duas opções na mesa: ou seguia em frente com o projeto que já se encontrava devidamente licenciado e apto a seguir viagens ou esperava, ainda mais, pela plenitude e finalização das obras e das certificações que estão em atraso. Tive em consideração a realidade do que era mais benéfico que era avançar neste momento», indica o ministro.

“Dar mais cidade aos cidadãos é que é uma visão acertada de uma mobilidade integrada” e este é o desejo para o futuro nacional

Segundo Miguel Pinto Luz, Coimbra é o exemplo da mobilidade que se deve seguir, pelo menos, «nos próximos dez anos». «Temos de ser capazes de dar mais cidade aos cidadãos. Isso sim é uma visão acertada de uma mobilidade integrada, como se pode ver ao longo deste trajeto, com muitos locais renovados e integrados», explica. Questionado sobre o “porquê” de se estrear apenas em Coimbra e da altura escolhida (a poucos meses das eleições autárquicas) reflete que foi apenas “coincidência”. «Abrimos este troço, urbano, no momento que estava apto. Este Governo não quer tratar dos assuntos com politiquices, nós queremos um trabalho conjunto para melhorar o país e não para o separar. Não queremos entrar nesses “joguinhos”. Estes cinco quilómetros iniciais estão licenciados e certificados, ao contrário do restante que ainda não sofreu essa autorização».

O ministro ainda incidiu sobre a importante vitória que este momento representa para Coimbra e para o país, pois este é um formato de mobilidade «do século XXI» e que tem a função de «unir» e não separar. «Desde que assumi a minha pasta tenho encontrado mais pontos que nos unem [PSD e PS] do que nos separam, e o objetivo tem de ser exatamente esse, trabalhar para um país unido como esta linha une estas localidades. Coimbra é um exemplo de mobilidade virada para o futuro». Um conceito que, acredita, tem de ser tomado como o início da transformação dos transportes para o Porto, Braga, Aveiro, Gaia e Leiria, nos seus troços futuros.

Ainda questionado sobre o valor investido no Metro Mondego e no tempo de espera (são mais de 200 milhões de euros investidos e mais de 30 anos de espera) o ministro sublinhou que, até ao final do ano «a viagem de cinco minutos que se realizou, passará a ser de uma hora», não se prolongando em declarações.

Contestação em Miranda do Corvo e Lousã

No que toca a Miranda do Corvo e Lousã, a decisão de avançar com o troço urbano de Coimbra, entre Portagem e Vale das Flores, não foi visto como a forma correta de agir.

Mesmo concordando que existe a necessidade de avançar, o mais rapidamente possível, com os serviços do Metrobus, as duas Câmaras Municipais afirmam que apenas deveria acontecer «após conclusão de todas as obras» e com toda a «amplitude» do trajeto disponibilizado, principalmente o acesso ao Polo de Saúde, em Celas. Sublinhando os prazos definidos (Serpins-Portagem para o último trimestre de 2025 e o restante ramal urbano de Coimbra para fim de 2026), indicam que a prioridade deveria ser «a conclusão da plenitude do projeto» e não a abertura de “troços únicos”, manifestando assim a sua discordância com a decisão de avançar com o trecho existente.

Agosto 30, 2025 . 10:50

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