
O maior exemplo está em casa e a liderança que se foi reinventando
A sua carreira tem sido tudo aquilo que esperava?
A minha carreira até agora tem-me dado muitas oportunidades de aprendizagem. Ter tido a sorte de começar nos sub-5 no Fernando Pires, passar 15 anos ligado à formação, na qual aprendi o valor da formação e a ensinar coisas muito básicas que ainda hoje no treino trabalhamos. Ter a oportunidade de trabalhar na última divisão regional, a oportunidade de subir de divisão com a equipa mais jovem de Portugal, de trabalhar num projeto piloto, de fazer história com miúdos em Vila Verde com meia dúzia de euros como nós dizíamos mas com muita organização de cima até baixo e depois ter vivido em contextos realmente difíceis tem sido uma oportunidade muito grande de desenvolvimento. Não é comum passar tantas vezes por equipas que estão sete pontos abaixo da linha de água como nós estivemos e termos algum sucesso. O que é que tem de positivo esta carreira? É que quando estamos muitas vezes em contextos inferiores, em níveis inferiores os nossos erros também não são tão visíveis para fora. Temos a oportunidade de aprender na medida do possível - e estou a falar só de mim como treinador - e tentar a seguir acertar.
Mas houve algum passo dado do qual se arrependeu?
Muitos. Posso dizer abertamente: ter feito resultados muito bons, ter um histórico de resultados muito bons e ficar em casa um ano, condicionou-me a tomar outras decisões. À frente aprendi isso, já não cometi o mesmo erro. Até do ponto de vista relacional, com direções, com jogadores, com adeptos, tudo isto foram aprendizagens de coisas menos conseguidas, que se fosse agora tomaria passos diferentes, só que eu não sabia mais nem melhor do que naquele momento. Tive a sorte e a oportunidade de ter quem me ajudasse a refletir e de aprender para não voltar a cometer esses mesmos erros, espero eu.
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