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Utentes do Centro de Saúde do Bairro Norton de Matos queixam-se do calor extremo

De acordo com o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos de Coimbra, as temperaturas que rondam os 30 ºC dentro do edifício deste Centro de Saúde têm causado mau estar, não só a quem ali se desloca, mas também aos profissionais de saúde

Depois de um inverno em que se multiplicaram as queixas relativamente ao frio, tendo-se mesmo registado uma inundação que levou ao encerramento da Unidade de Saúde Familiar (USF) Pulsar, profissionais e utentes do Centro de Saúde do Bairro Norton de Matos estão nestes meses de verão a padecer com as temperaturas elevadas registadas no interior do edifício, nomeadamente nos gabinetes de atendimento. A situação foi ontem denunciada pelo Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) de Coimbra.
«As equipas estão a trabalhar diariamente com temperaturas que rondam os 30 °C, ou mais, o que não só compromete a saúde e o bem-estar dos profissionais, como afeta negativamente a qualidade do serviço prestado à população. Estas condições são inaceitáveis e colocam em risco tanto os profissionais como os utentes», alerta a representante do MUSP, Celeste Moura, referindo mesmo que já várias pessoas (utentes e profissionais) se sentiram mal, apontando como solução urgente a instalação de sistemas de climatização adequados nos gabinetes. Exigindo «respeito pelas condições mínimas de saúde e segurança no local de trabalho», o MUSP solicita ainda «uma avaliação técnica das condições térmicas», deste e de outros centros de saúde de Coimbra, e a «implementação de medidas permanentes que garantam condições dignas de trabalho durante todo o ano».
Trata-se de um «problema estrutural», depois de nos meses de inverno terem sido «enviados casacos polares», para o Centro de Saúde Norton de Matos, uma solução «no mínimo ridícula» e «claramente insuficiente» ao frio registado na altura, reconhece Celeste Moura. Agora, face a uma questão oposta, os utentes «continuam à espera de medidas concretas e de resposta adequada» por parte nomeadamente da Câmara e da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, que o MUSP já diz ter contactado, sem ter obtido respostas objetivas além da proposta de serem «colocadas ventoinhas», o que para a Celeste Moura não é aceitável face às condições atuais, exigindo mesmo «obras de manutenção e requalificação em todo o Centro de Saúde para um melhor serviço público de saúde».

ULS assume falta de condições

Contactada pelo nosso Jornal, a ULS de Coimbra reconhece que «esta unidade não reúne as condições necessárias para garantir o conforto e a segurança de quem ali trabalha e de quem recorre aos seus serviços», dizendo mesmo tratar-se «de um problema estrutural, há muito identificado, que tem vindo a ser sinalizado por diversas entidades e que exige uma intervenção de fundo». A requalificação do edifício, «sob responsabilidade da Câmara de Coimbra, no âmbito do plano de investimentos para a modernização dos cuidados de saúde primários», poderá vir a resolver todas estas questões, com a ULS de Coimbra a garantir que tem mantido «um diálogo próximo com a autarquia, acompanhando este processo e procurando, sempre que possível, soluções transitórias que mitiguem os impactos das condições atuais» reiterando «o compromisso com a melhoria contínua das condições de trabalho e do serviço prestado à comunidade». O MUSP garante que as obras anunciadas pela autarquia «não irão recuperar nem beneficiar o edifício existente», garantindo ter conhecimento de que permanecerão no edifício atual a USF Briosa, «única com ar condicionado», atesta Celeste Moura; a USF Norton de Matos; a USF Pulsar e a Unidade de Cuidados na Comunidade.

Município distribui mais de 80 ventoinhas por diversas unidades de saúde do concelho

O edifício do Centro de Saúde de Bairro Norton de Matos está «em avançado estado de degradação, fruto de sucessivos anos de desinvestimento e falta de manutenção preventiva regular e adequada», afirma a Câmara Municipal de Coimbra, que assumiu competências na área da Saúde com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2024. Desde então, tem procurado, «dentro das suas possibilidades e limitações reais, assegurar um acompanhamento de proximidade, com o objetivo de minimizar os constrangimentos existentes», nesta e noutras unidades de saúde do concelho.
Relativamente a este edifício, a autarquia recorda o projeto de ampliação em curso, tendo sido recentemente lançado o concurso público para adjudicação da empreitada. Face à «necessidade premente de melhorar as condições do edifício atualmente existente», o município esclarece que «a dotação disponível não contempla intervenções de requalificação e manutenção no edificado existente, o que limita significativamente a capacidade de intervenção», reconhecendo, porém, a inevitabilidade de «assegurar no contexto desta empreitada a reparação das redes elétricas e dos sistemas mecânicos do edifício antigo, permitindo compatibilizar o funcionamento dos dois espaços e rentabilizar a capacidade energética».
Partilhando «inteiramente da preocupação manifestada pelo MUSP relativamente à urgência de garantir condições dignas e adequadas para os profissionais de saúde e para os utentes», o vice-presidente Francisco Veiga reuniu ontem com Rosa Costa, coordenadora da USF Pulsar, para avaliar medidas que permitam melhorar, a curto prazo, as condições existentes. Tratando-se de «questões antigas, complexas e estruturais» para as quais não existe resposta «imediata e satisfatória», tendo sido implementada como solução de emergência, a aquisição e distribuição de 81 ventoinhas por várias unidades de saúde. De uma forma transitória poderá «ajudar a atenuar o desconforto térmico que se faz sentir nos vários Centros de Saúde e que estão a impactar negativamente a qualidade dos serviços», esclarece.

Agosto 6, 2025 . 13:35

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