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Países lusófonos celebraram a mulher africana com gastronomia e cultura

Durante o fim de semana, a Praça da Lusofonia foi o ponto de encontro de dezenas de famílias para saborear pratos tradicionais de África, mas também do Brasil e de Timor. À festa juntou-se música, dança e exposições

Lutadora, guerreira, batalhadora e, não raras vezes, tem de “vestir a pele” de mãe, pai, tia e avó. Tudo ao mesmo tempo. Assim é a mulher africana, celebrada e homenageada no evento que animou a Praça da Lusofonia no Parque Verde do Mondego, durante o fim de semana, naquela que foi também a celebração da cultura e da gastronomia dos países de expressão portuguesa.

À celebração do Dia Internacional da Mulher Africana e dos 50 anos de independência dos países africanos de língua portuguesa juntou-se também a única família do Sudão do Sul a residir em Coimbra, que brindou os visitantes com sabores típicos do seu país, como molho de carne de vaca com pão sudanês (kiçira), sumo de hibisco, sawarma (que é frango cozido com pão enrolado) ou um chá de cravo da Índia.

No espaço Delícias da Lourena, reinam os doces, de que um bolo de amendoim ou galetes são apenas alguns exemplos. Foi há 23 anos que Lourena deixou a sua cidade de Huambo, em Angola, fixando-se em Coimbra, terra que já sente como sua. Cozinheira de profissão, nos tempos livres dedica-se à confeção de doces e, por isso mesmo, criou a marca Delícias da Lourena.

Mesmo ali ao lado, também eram os sabores de Angola a dominar, como a cachupa ou os pastéis de milho, preparados por Leila Fernandes e algumas amigas.

Deixou o seu país há 18 anos para estudar e por cá ficou. Já teve oportunidade de visitar Angola por diversas vezes, mas, em eventos como o que decorreu no Parque Verde, são uma forma «recordar» as raízes.

Muamba é o que não podia faltar na banca de Maria Nazareth Gomes, que faz questão em revelar como gosta de ser africana.

Ana Domingos preparou uma cachupa vegana. Quando chegou de Angola, a intenção era estudar Psicologia, ainda fez umas formações em fisioterapia, mas é o artesanato típico do seu país, nomeadamente trajes, que lhe “enche as medidas”.

Foi cá que nasceu o filho, é por cá que estão muitos familiares e é cá que não se cansa de promover a cultura do seu país, sempre com a alegria característica da mulher africana.

Funcionária do bar da Faculdade de Letras, Janísia Rodrigues é cabo-verdiana, reside em Coimbra há 13 anos e não vai à sua terra há 12. Um dos sonhos mais imediatos é ir mostrar os encantos de Cabo Verde à filha de quatro anos.

Preparou cachupa de milho e grão, bolo fusk, mel de cana, batido de banana e canela, donet de côco, entre outras propostas de “comer e chorar por mais”.

Não faltaram os sabores de Moçambique “pela mão” de Gladise Lopes, que confecionou um caril de amendoim de carne de vaca, matapa e frango grelhado e assado. Há quase duas décadas a residir em Coimbra, recorda que veio com o marido, numa altura em que as filhas já tinham vindo. Por Moçambique ficou o filho, adianta, acrescentando que, neste anos, nunca se conseguiu habituar ao frio.

Na banca de São Tomé e Príncipe lá estava Jéssica, de 19 anos, que veio para Portugal com 11. À festa juntaram-se ainda representantes de Timor e do Brasil. Na banca de Robert Souza, a participação tinha um objetivo bem definido: passar a mensagem que os imigrantes podem votar nas autárquicas, mas têm de se recensear até ao final de julho. A iniciativa que animou a Praça da Lusofonia durante o fim de semana foi uma organização da Casa de Angola de Coimbra, contribuindo para a integração dos imigrantes, salientou Bento Moreira, presidente da direção da Casa de Angola de Coimbra.

Definido com um ponto de encontro, o evento ajudou também «a matar saudades», aliando, mais uma vez, a gastronomia à integração.

Segundo Bento Moreira, estima-se que residam em Coimbra cerca de 7 mil cidadãos africanos.

Julho 28, 2025 . 09:20

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