
“De coração cheio” ao fim de 12 anos de “dedicação total”
O Dia do Município de Condeixa ficou marcado pela homenagem a mais de 70 associações do concelho, pelo reconhecimento a funcionários, mas também pela despedida de Nuno Moita, que discursou pela última vez na sessão solene do feriado municipal na qualidade de presidente da Câmara.
«Ao fim de doze anos de mandatos sucessivos, encerra-se um ciclo de serviço público que abracei com dedicação total, com sentido de responsabilidade e com amor incondicional por esta terra e pelas nossas gentes», adiantou o autarca. Em jeito de balanço, Nuno Moita recordou que, quando tomou posse em 2013, «o país atravessava uma das mais severas crises económicas e sociais desde a democracia», mas nem «as limitações orçamentais» travaram «a ambição».
«Fizemos da resiliência a nossa marca. Fizemos da proximidade a nossa prática política. Fizemos da coesão social e territorial a nossa prioridade», disse na sessão solene, que decorreu nos claustros dos Paços do Concelho.
"Ao fim de doze anos de mandatos sucessivos, encerra-se um ciclo de serviço público que abracei com dedicação total", desabafou o autarca
Num período marcado pelos incêndios de 2017, a tempestade Leslie em 2018, a pandemia da Covid-19 ou a guerra, Nuno Moita considera que o percurso «não se definiu apenas pela capacidade de resistir», mas, «sobretudo, pela capacidade de transformar», com vista a «um concelho mais coeso, mais atrativo, mais preparado para os desafios do presente e do futuro».
«A captação de fundos europeus foi um pilar central da nossa estratégia de desenvolvimento», referiu, salientando que foram aprovados projetos estruturantes num valor total de cerca de 24 milhões de euros de fundos comunitários.
Nuno Moita fez questão de deixar números que classifica como «sinais de progresso, de compromisso, de transformação». «Entre 2014 e 2022, o volume de negócios no concelho cresceu 73,7%, passando de 205 para 356 milhões de euros. As exportações subiram para 24 milhões de euros e as importações, sinal de maior dinamismo interno, atingiram os 25 milhões. Hoje, Condeixa já não é apenas um território de serviços ou dependente de Coimbra: é um concelho competitivo, com empresas que criam valor e exportam conhecimento, produtos e talento», salientou, ao acrescentar que também o poder de compra se aproximou da média da região de Coimbra.
"Entre 2014 e 2022, o volume de negócios no concelho cresceu 73,7%, passando de 205 para 356 milhões de euros"
Continuando a divulgar números, o presidente, que atinge o limite de mandatos, destaca que o desemprego «registou uma descida de 58%, passando de mais de 720 pessoas em 2014 para pouco mais de 300 em 2022».
Nuno Moita destacou também que, entre 2014 e 2023, foram constituídas 325 novas empresas e encerradas 238, considerando que o ecossistema empresarial é «mais robusto, mais diversificado e mais inovador».
Ao nível do associativismo, o autarca salientou que «o número de associações recenseadas aumentou de 54 para 77» e que «o número de atletas federados triplicou, de cerca de 500 para 1.350».
Ao dar nota de investimentos realizados ao longo dos últimos anos e do lançamento de obras a realizar, como a reabilitação e ampliação do Centro de Saúde, Nuno Moita está certo de que «há ainda muito por fazer», mas que, hoje em dia, o concelho tem «uma base mais sólida do que nunca».
«Hoje, despeço-me com o coração cheio. Levo comigo a experiência de uma vida, o privilégio de ter servido esta terra- a minha terra- e a esperança renovada de que o futuro continuará a ser feito com inteligência, justiça e paixão», conclui Nuno Moita.
António Figueiredo recorda “tensão” na primeira assembleia que presidiu
«Temos condições para ser mais do que um bom lugar para viver». As palavras são de António Figueiredo, presidente da Assembleia Municipal, certo de que Condeixa pode «ser um território de oportunidades».
Realçando também alguns dos indicadores dos últimos anos,recordou a primeira reunião que presidiu enquanto presidente da AM.
«Foi um momento marcante, em que percecionei um ambiente com alguma tensão, reflexo natural das dinâmicas políticas e do contexto de então», salientou, testemunhando «a evolução para um espaço mais sereno e mais respeitador».











