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Corte coimbrã “renasceu” na Sé Velha para acolher Feira Medieval na cidade

Um “portal” para a Idade Média abriu-se, ontem, em Coimbra. O palco está montado até domingo e pode ser visitado de forma gratuita, por quem quiser conhecer a história de D. Dinis, Isabel de Aragão, e toda uma cultura antiga

Do latim ao russo, são várias as linguagens que enchem a Sé Velha e as suas ruas circundantes até domingo. A Feira Medieval de Coimbra celebra, em 2025, o seu 30.º aniversário e o público acarinha a data especial com grande emoção e, sobretudo, curiosidade.

A música enche os ouvidos de quem começa a chegar junto da Sé, mas, desta vez, não são os estudantes e tunos que tocam as suas guitarras portuguesas. O som que se houve leva os visitantes a um tempo antigo onde até a língua soa diferenciada. Com instrumentos recriados e o latim na garganta, alguns músicos vão espalhando diversão pelas ruas, já com algum público a dançar perto de si.

Apesar de nem todas as pessoas o fazerem, alguns já levam vestidas as vestes típicas do século XIII.

Elena, Maria e Catarina são amigas e naturais da Rússia. Fazem parte de um grupo de seis amigos (e um bebé) que conseguiu garantir lugar na Ceia Medieval, que ocorre todos os anos na Sé Velha. «Nós gostamos muito destas festas e destes trajes. Eu vivo cá e venho sempre a esta feira», indica Maria. Os amigos acompanharam e garantem que «o ambiente é muito giro e os claustros são muito bonitos» o que atrai, ainda mais, para a sua visita.

Com um ambiente especial e dedicado por completo à era medieval, os vários turistas da cidade ganham uma nova atração para visitar

Com a festa a ganhar forma, a fome vai começando a dar os primeiros sinais e, para quem não venceu o privilégio da ceia, o espaço exterior tem uma vasta oferta para quem lá deseja almoçar, ou neste caso, jantar.

«Temos sardinha assada, porco no espeto, entremeada, sopa, febras, arroz doce» e muito mais, conta-nos Carlos Alberto, da Taberna Medieval de Casconha, promovida pelo Grupo Folclórico e Etnográfico Moleirinhas de Casconha. Carlos Alberto tem uma ligação à Feira Medieval de dez anos, e vê com «grande felicidade» a participação no evento e grande receção que tem do público. «Há muitos estrangeiros com curiosidade e aceitam muito bem e ficam a conhecer o que há [na feira]», explica.

Na festa também é possível conhecer a Associação Desportiva e Recreativa do Loureiro (A.D.R.L.), que traz surpresas diversificadas. «Temos jeropiga, bolinhos feitos tipicamente e alguns brinquedos tradicionais», informa Hugo Rodrigues, da A.D.R.L., que representam um pouco da cultura local, que conta com o Museu do Brinquedo Tradicional. A associação marca presença na feira desde o seu começo, apesar de um «interregno» por falta de pessoas associadas.

Já nas “traseiras” da Sé Velha, Luciana Leitão aproveita a junção de alguns olhos curiosos para mostrar a sua arte. Luciana é oleira e cria as suas próprias obras de cerâmica, ao mesmo tempo que forma quem quer aprender. «Esta é uma profissão muito ligada a Portugal e o meu objetivo é vir aqui e mostrar e ensinar às pessoas este ofício», realça. Para além de estar presente na Feira Medieval, tem o espaço Ceramicar-te, na Lufapo Hub, onde convida os interessados a visitar para usufruírem de formações e criarem as suas próprias peças.

Com a chegada de Dom Dinis e Isabel de Aragão, o foco passou para os “monarcas”, mas a festa que ontem começou continuará até domingo.

Julho 19, 2025 . 10:50

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