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Aplicações grátis de VPN suspeitas de enviarem dados dos utilizadores para a China

Um relatório do Tech Transparency Project (TTC) mostra que milhões de utilizadores de VPN grátis podem estar, sem saber, a enviar os seus dados diretamente para a China.

O relatório desta organização não governamental expôs ligações preocupantes entre algumas das aplicações VPN mais populares do mundo e a empresa chinesa Qihoo 360 — uma gigante tecnológica com alegados laços com o governo e o exército chineses.

Pelo menos vinte aplicações VPN associadas de forma direta ou indireta à Qihoo 360O estavam disponíveis na Google Play Store e na App Store. Muitas apareciam registadas com nomes de pequenas empresas ou programadores situados em países como Singapura ou as Ilhas Caimão, mas a investigação descobriu que estas marcas eram, na prática, controladas pela empresa tecnológica chinesa.

Milhões de pessoas de todo o mundo instalam estas aplicações na esperança de protegerem a sua privacidade online (entre as mais descarregadas, contam-se a Turbo VPN, VPN Proxy Master, Thunder VPN, Snap VPN e a Signal Secure VPN, por exemplo). O problema é que, nalguns casos, os utilizadores partilham voluntariamente informações sensíveis com um provedor que pode ter a obrigação legal de transmitir esses dados às autoridades chinesas.

Um túnel de segurança com fugas

A função básica de uma VPN (rede privada virtual) é disfarçar o endereço IP do utilizador e criar um túnel de ligação encriptado entre o dispositivo e a internet. Garante-se assim uma maior privacidade, especialmente em redes wi-fi públicas, e a possibilidade de aceder a conteúdos bloqueados por região.

No entanto, a eficácia e a segurança desta ferramenta dependem da confiança que se deposita no provedor de serviço. Neste caso apontado pela TTC, existe uma VPN gratuita, gerida por uma empresa com sede num país onde a lei obriga à cedência de dados ao governo, o que representa uma séria ameaça à privacidade.

Além disso, muitos destes serviços não têm uma política clara de não manter registos — isto é, não garantem que não armazenam dados de navegação, endereços IP, dados de localização ou dados pessoais. Nalguns casos, podem até monetizar estas informações através de publicidade direcionada ou da revenda a terceiros.

Falhas de controlo nas lojas digitais

Apesar das revelações do Tech Transparency Project, grande parte destas aplicações continuou disponível para transferência, gerando receitas diretas para as plataformas onde estão alojadas — Google e Apple — através de anúncios ou subscrições premium. Embora algumas tenham sido removidas temporariamente depois da denúncia de jornalistas, voltaram a aparecer com outros nomes ou novos proprietários registados.

Esta estratégia é uma forma de contornar restrições em países como os Estados Unidos, onde a Qihoo 360 está proibida de operar por suspeitas de ligação ao exército chinês. A Snap VPN, por exemplo, nega qualquer envolvimento com a Qihoo, mas documentos revelam que a sua criadora original, a Autumn Breeze, foi comprada pela empresa tecnológica chinesa e registada novamente offshore.

O que deve o utilizador fazer?

A principal lição que se pode tirar deste caso é clara: no mundo digital, quando o produto é grátis, isso significa que o produto somos nós. Nesse sentido, como os especialistas em cibersegurança costumam alertar, aquela que é provavelmente a melhor VPN nunca será uma aplicação gratuita.

Se quiser proteger verdadeiramente a sua privacidade online, opte por uma VPN paga, que tenha:

  • Uma política de ausência de registos rigorosa, auditada por entidades independentes;
  • Sede em países com leis fortes de proteção de dados;
  • Boa reputação junto de especialistas;
  • Transparência total na sua estrutura empresarial.

Além disso, por mais aborrecido que seja, vale a pena ler atentamente os termos de utilização, para verificar se existe alguma cláusula que autorize a partilha de informações com terceiros, incluindo governos.

No fim de contas, pagar uma pequena quantia por mês pode fazer toda a diferença entre navegar com verdadeira privacidade ou expor dados sensíveis a empresas que, como se vê, podem não ser tão discretas assim.

Julho 8, 2025 . 10:28

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