
Marchas populares voltaram a sair à rua no planalto 40 anos depois
Uma fotografia das marchas realizadas no Bairro do Ingote há 40 anos despertou na comunidade a vontade de voltar a levar até ao planalto a alegria tão característica dos santos populares.
Nessa altura, os moradores do Bairro do Ingote (ainda não existia o Bairro da Rosa nem o Bairro António Sérgio) uniram-se e organizaram «umas mini-marchas». «Foi-nos mostrada uma fotografia no Centro Comunitário [de São José], falei com a equipa técnica da qual faço parte e decidimos realizar, novamente, estas marchas, após 40 anos», contou ao Diário de Coimbra Ana Leonor Almeida, do Centro Comunitário de São José (valência da Cáritas Diocesana de Coimbra).
«Foi um desafio muito grande, foi um trabalho muito meticuloso , muitos pormenores para pensar, mas acho que valeu a pena», adiantou.
Entre as crianças desde o pré-escolar ao 4.º ano da EB 1 do Ingote, utentes e colaboradoras da Cáritas Diocesana de Coimbra (Centro Social São Pedro e Centro Comunitário de São José ) e jovens do Projeto Trampolim - E9G, participaram nas marchas populares cerca de 120 pessoas. Nos últimos meses, sucederam-se horas de preparação, com a elaboração dos temas e das coreografias, ensaios e «muita dedicação».
“De São Pedro a Camões, um mar de tradições” foi o tema escolhido, numa homenagem ao padroeiro do Planalto do Ingote, por um lado, e, por outro, para assinalar os 500 anos do nascimento de Luís de Camões (integrando o tema do projeto educativo da EB 1 do Ingote).
Lurdes, do Centro Social de São Pedro, estava irreconhecível “na pele” de Luís Vaz de Camões e nem a barba, nem a pala no olho faltaram. «Olá, sou eu», dizia para os pequeninos da creche, que assistiram à festa.
«O nosso grande objetivo com estas marchas também é desconstruir alguns mitos que existem em torno destes bairros de habitação social, o grande estigma que ainda hoje existe», explicou Ana Leonor Almeida, ao reforçar a ideia de que o Planalto do Ingote «tem muita coisa para dar».
«Aqui é feito um trabalho muito bairrista e estamos aqui para mostrar aquilo que também é o Planalto do Ingote», explicou, momentos antes das marchas iniciarem a atuação no largo da capela, onde a assistir estavam utentes de diferentes valências da Cáritas Diocesana de Coimbra, moradores e alguns convidados, entre os quais Luís Correia, presidente da União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades.
No desfile de ontem à tarde não passaram despercebidos alguns dos trajes dos marchantes, confecionados por elementos da comunidade do Planalto do Ingote, no âmbito do curso de Formação em Costura e Confeção de Vestuário, promovido pelo Cearte.
Ao evento associaram-se ainda a Associação CódigAtomiko e a Comissão de Festas de São Pedro do Planalto, que colocou o bar do recinto à disposição.
O desfile das marchas populares teve início na Rua Cidade de Cambridge, no Bairro da Rosa, e seguiu até ao largo da capela, junto à escola, captando a atenção dos moradores e da comunidade local.
Se tudo correr bem e como a comunidade do planalto deseja, para o ano, as marchas voltam a sair à rua.











