
“Sentimentalistas verdes” lutam pelos jacarandás
«Prefiro ser sentimentalista verde do que fria e calculista». Foi com esta impactante frase que Margarida Lima, representante do grupo que luta pela reversão do abate das árvores, se dirigiu, ontem, a quem se encontrava junto da Rua Lourenço de Almeida Azevedo, para entender a luta pelos jacarandás do local.
Com as «politiquices» de lado, Miguel Dias, também representante da causa e um forte defensor das causas sociais e da Natureza, explica que o que está em causa não é a «não construção» do Sistema de Mobilidade do Mondego, mas sim uma reavaliação da situação. «Temos um número extenso de medidas que sugerimos serem aplicadas para proteger estes jacarandás. Pelo menos uma delas refere uma alternativa de traçado para o metro, que não obriga ao abate destas árvores».
Com estas medidas em mente, Miguel Dias explica a criação de um abaixo assinado, à semelhança de um documento do mesmo género criado no Porto. «Fizemos uma petição, uma iniciativa conjunta com outras entidades, que queremos utilizar para denunciar muitas situações da Câmara Municipal de Coimbra», menciona.
Anabela Marisa Azul, investigadora na Universidade de Coimbra (UC), explica que é necessário que a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) informe sobre dados não divulgados. «É preciso saber de que maneira se vai cuidar das árvores saudáveis» principalmente no que toca à «salvaguarda da semente e do sistema radicular», existente no subsolo.
Ainda em declarações, Anabela Azul relembra que o jacarandá não é uma árvore autóctone. «À semelhança de outros locais, estas espécies foram transportadas para aqui pela sua beleza e, no caso de Coimbra, existe uma ligação ainda mais especial por se tratarem das cores da cidade».
Vandalismo censurado
Sobre os atos de vandalismo sobre árvores, presenciado na Avenida Emídio Navarro, e noutros locais, no dia 23 de junho, Miguel Dias denuncia-os como «inaceitáveis». «Não é apenas contra estas decisões camarárias que nos posicionamos, também censuramos todos os atos de vandalismo efetuados. O nosso objetivo é garantir que as árvores aqui continuam», diz.
Falta de transparência
No final da sua intervenção, Miguel Dias debruçou-se sobre a falta de transparência da CMC no que toca às «razões» para o abate das árvores. «Notámos que existe uma enorme falta de relatórios que indiquem o “porquê” do abate de cada uma destas árvores. Não existem explicações», refere, mencionando ainda que é «importante saber estes dados, principalmente numa rua como esta [cheia da espécie]».

“Coimbra tem de se pautar pelos valores humanos”
Margarida Lima, foi direta nas suas críticas à forma de agir da Câmara Municipal e deixou uma mensagem clara de apoio à Natureza e às causas de cariz ambiental que atravessam Coimbra e o país.
«Sendo uma cidade do conhecimento, é uma cidade que se funda nos grandes valores humanos, e isso, em primeiro lugar, é o respeito. Temos de ter isso em consideração. Estas árvores representam ecossistemas de uma beleza ímpar».
Ainda sobre o tema, a ambientalista refere que «mais vale ser sentimentalista, ter emoções, do que ser frio, calculista e manipulador, ou seja, indiferente para com esta e outras situações».











