
Concerto à Rainha Santa Isabel vai voltar a ouvir-se
A Igreja da Rainha Santa Isabel foi pequena para receber todos os que quiseram assistir ao concerto comemorativo dos 400 anos da canonização da Rainha Santa Isabel, com a estreia da obra “Divine Flore Perfusa: Cantica Sanctae Regina”, de grande fôlego e profundidade espiritual, composta por Paulo Bernardino especialmente para esta efeméride.
Um concerto «magnífico» e um «momento inesquecível», nas palavras de quem assistiu ou «obra muito bem aprofundada», já nas palavras de profissionais da música, que não se pouparam a elogios que, por sua vez, mereceram da parte da Confraria da Rainha Santa Isabel, a promotora das celebrações dos 400 anos da Canonização da Rainha Santa Isabel, a convicção de que é necessário «dar um passo em frente», isto é, «analisar a possibilidade de repetir o concerto, mas assegurando a sua gravação profissional, «por forma a perpetuar a memória», tal como referiu Joaquim Costa e Nora, presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel.
O responsável adiantou que o ideal seria realizar esse concerto daqui a um ano, no dia 25 de maio de 2026 ou em data muito próxima, de modo a ser possível conciliar todos os grupos envolvidos, além de evocar o dia da canonização, proclamada a 25 de maio de 1625 pelo Papa Urbano VIII.
Joaquim Costa e Nora confessou ao Diário de Coimbra que a data da repetição do concerto pode parecer longínqua, mas as circunstâncias do ano de 2025 a isso obrigam.
Além das festas da Rainha Santa Isabel, também estão a decorrer as comemorações dos 700 anos da Peregrinação da Rainha Santa Isabel a Santiago de Compostela, com várias iniciativas, que se estendem pelo mês de julho, a Confraria deve acompanhar ainda as celebrações associadas ao Ano Jubilar.
Dimensão teológica do concerto
Voltando ao concerto do dia 24 de maio, recorde-se que este assumiu «um carácter policoral, já que envolveu dois agrupamentos distintos: um coro posicionado no altar e um coro feminino no fundo da igreja, criando um diálogo sonoro de forte impacto imersivo, que aliou influências da polifonia renascentista ao louvor popular», tal como explicou Paulo Bernardino.
Refira-se que a composição partiu de textos do Papa Urbano VIII e outros textos recolhidos das novenas antigas e da Liturgia das Horas dedicada à Rainha Santa Isabel, conferindo-lhe «uma dimensão teológica, histórica e devocional rara na criação musical contemporânea».
A primeira parte do concerto foi preenchida com uma composição original para Gaitas Coimbrãs, de autoria de Mauro Martins e António Freire, orquestrada pelo maestro João Santos — que dirigiu também o coro feminino no fundo da igreja —, além de outras três obras dos compositores Paulo Bernardino, Mário de Sousa Santos e José Firmino.
A interpretação contou com a Orquestra Clássica do Centro e com um leque de grupos corais que deram corpo e alma à obra: o Coro Coimbra Vocal, o Grupo Coral de Urrô (Arouca), o Coro Stella Maris (Anadia), o Coro dos Antigos Pequenos Cantores de Coimbra, e o grupo Gaiteiros Rainha Santa, que introduziu na obra a sonoridade própria das gaitas de fole coimbrãs para delícia e encanto de todos. O concerto contou ainda com dois solistas: Susana Bento (mezzo-soprano), cuja interpretação «foi profundamente comovente», e Tiago Simas Freire (corneta renascentista), que trouxe ao concerto «uma sonoridade rara e uma expressividade singular».
O momento final foi «particularmente simbólico», já que toda a assistência se uniu em canto, entoando em uníssono o refrão da música com os músicos, coros e solistas.
Uma comunhão sonora e espiritual que selou o concerto de forma inesquecível, tornando claro que «a Rainha Santa continua viva na fé e no coração do seu povo».













