
Estúdio com um toque de “abrigo” é destaque artístico em Coimbra
Um projeto que começou entre três amigos, resistiu à pandemia e, atualmente, é um marco na área artística e, sobretudo, da tatuagem em Coimbra. Jennifer Jesus, Rafa e Sérgio abriram o Biloba Tattoo, originalmente na Rua Padre António Vieira, mas atualmente localizam-se na Avenida Fernão Magalhães, e já apenas com Jennifer “à frente” do projeto.
«Tudo começou entre os três, mas entretanto a vida fez com que o Rafa e o Sérgio seguissem outros caminhos e eu acabei por ficar com a Biloba», contou a responsável ao Diário de Coimbra. Atualmente o estúdio conta com quatro artistas residentes (Jennifer, Duarte, Vasco e Jessie), mas está sempre de portas abertas a «guests» [convidados]. «Tentamos sempre ser um espaço seguro para todos, com atenção especial à comunidade LGBTQIA+, recebemos todas as pessoas. Queremos sempre ter um espaço onde as pessoas se sintam bem--vindas».
No que toca à génese da paixão que a “atraiu” para a imagem, arte e, principalmente, a tatuagem, destaca os documentários do National Geographic como “primeiro contacto”. «Desde muito jovem que via a cultura da modificação cultural, primeiro na sua forma mais “pura”, nas tribos, e depois nos “modern primitives”, como o Fakir Mustafar», explicou. Para Jennifer esta é uma forma de «expressar identidade» que a continua a cativar ao longo dos anos.
Pela Biloba foram passando vários artistas
Relativamente ao seu processo de criação, a artista destaca o «caos» como forma de trabalho. «O processo para tudo, no meu caso, é o caos. Ainda estou numa fase de experimentar muitas coisas diferentes», sublinha a criadora que, neste momento, desenvolve projetos de «ilustração, prints, pinturas abstratas e cerâmica».
Pela Biloba foram passando vários artistas, naquilo que são «equipas dinâmicas». «As pessoas acabam por passar por aqui e depois, às vezes, seguem os seus projetos, fora de Coimbra ou até fora do país. Depende das suas oportunidades», mas o principal é garantir sempre «um bom ambiente e seguro», revela a artista, que sente que tem uma «identidade definida» e bem recebida.
Também em conversa com o nosso jornal, Duarte Nunes, um dos residentes do Biloba, contou que começou a tatuar por causa da, agora, colega. «Eu comecei a apaixonar-me pela tatuagem no fim de ver o trabalho da Jennifer». Tendo em consideração que já tinha o «dom» do desenho desde criança, apostou numa máquina de tatuagens e começou «a tatuar em casa de amigos».
Jovem artista aventura-se por mais do que um meio
Com «orgulho» de trabalhar com alguém que foi inspiração, Duarte chega agora a trabalhar com “alta costura”: Van Zee, Xtinto, Frankieontheguitar, Pikika, são nomes de artistas que já passaram pelas mãos de Duarte. «Vieram todos pelas minhas redes sociais. Eles viram o meu trabalho, gostaram e acabaram por vir tatuar comigo», explicou, relembrando que para além de já terem «repetido», já fez mais algumas “artes gráficas” para os músicos, como capas de singles e «trabalhos para concertos».
Sem considerar que a arte é estática e sempre disposto a “dar asas” ao seu processo criativo, o jovem artista aventura-se por mais do que um meio. «Já fiz trabalhos em têxtil, cerâmica e pintei um mural na República Ay-Ó-Linda», meios que fazem com que se sinta «realizado» porque esse sucesso ajudou-o a combater a ideia de que «era apenas um tatuador».











