
Alunos da Tocha constroem hélice que gira só com o Sol
Durante o terceiro período do ano letivo, os alunos do 4.º ano do primeiro ciclo da Escola Básica da Tocha não desistiram e, após centenas de tentativas, fizeram um descoberta que o professor Hamilton Ribeiro Correia garante ser «surpreendente» e que agora terá publicação numa revista científica da especialidade. Pois bem, o que estes alunos vieram provar com uma experiência simples é que, da mesma forma que se produz energia com o vento através de hélices, também é possível fazê-lo, mas tendo como fonte renovável o sol.
«Trata-se de um dispositivo simples, construído com materiais reutilizados e acessíveis, como formas de alumínio, ímanes de neodímio e garrafões de água, capaz de gerar movimento rotativo contínuo sem motor, sem eletricidade e apenas com a energia do Sol e, surpreendentemente, até mesmo na sombra ou no escuro, quando combinado com fontes de calor locais», refere o docente.
A iniciativa foi desenvolvida no âmbito do projeto Ciência Viva, que leva docentes às escolas para estimular o gosto pelas ciências. Docente no ensino secundário da Tocha, o professor Hamilton Ribeiro Correia deslocou-se, uma vez por semana, à escola do primeiro ciclo, onde desenvolveu experiências com os alunos do quarto ano de duas turmas. E entusiasmo foi o que não faltou aos jovens que durante o terceiro período procuraram provar que é possível fazer girar uma hélice com a força do Sol. «É a primeira vez que alguém consegue movimento rotativo com energia solar», afirma o professor.
Mas o sucesso da operação não foi imediato e, diz o docente, foram necessárias «centenas de tentativas» para chegar ao resultado final. «Começamos com areia, chegámos à conclusão que o ideal era com ímanes, verificamos que com ímanes havia um ligeiro movimento e fomos por essa linha de investigação», recorda, considerando o dispositivo criado «engenhoso na sua simplicidade»: não é mais do que uma forma de alumínio usada para fazer queques cortada de forma a formar uma hélice com quatro pás, equilibrada numa coluna de ímanes de neodímio. O segredo, revela, está no número de neodímios sobrepostos e no posicionamento das hélices.
«Quando colocado ao Sol, o sistema começa lentamente a rodar e, para surpresa de todos, continua a girar durante horas», assegura, clarificando que é apenas um pequeno protótipo para «mostrar o princípio».
A invenção foi documentada com fotografias, vídeo e um artigo científico já submetido para publicação num jornal científico internacional - o European Journal of Physics -, tendo também gerado interesse entre investigadores e professores da área das ciências físicas. «Trata-se de um exemplo inspirador de como a ciência pode nascer na sala de aula, com materiais domésticos, espírito de investigação e muita imaginação», refere o docente. O protótipo vai ser apresentado publicamente na próxima quarta-feira.












