
Península Ibérica celebra quatro décadas de história na UE
Em dia de celebração dos 40 anos da adição de Portugal e Espanha à Comunidade Económica Europeia (atualmente União Europeia), a Europe Direct Região de Coimbra e de Leiria em colaboração com a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) realizou uma “Conferência Ibérica” submetida ao aniversário.
Após um conjunto de convidados e de painéis relacionados com vários temas do europeísmo e das relações ibéricas, coube a Emílio Torrão, presidente da CIMRC, e a Amílcar Falcão, reitor da Universidade de Coimbra (UC), terminar a sessão.
Constatando as evoluções e mudanças sociais dos últimos 40 anos, Amílcar Falcão recordou os seus tempos de juventude e a primeira edição do Programa Erasmus, do qual fez parte. «Em 1987 foram 3244 jovens que beneficiaram do projeto, e eu tive a sorte de ser um deles», começou por indicar o reitor, «em Salamanca vivi e conheci uma cultura parecida, mas diferente». Com as oscilações sociais na Europa, hoje em dia, revela, os jovens «têm uma identidade europeia» o que facilita «sentir-se em casa» em qualquer parte, principalmente entre Lisboa e Madrid.
Ainda em declarações, o reitor realça que a pandemia criou alterações sociais profundas, mas que a guerra que se vê hoje (na Europa e não só) também o fará. «Os nossos jovens adaptam os seus comportamentos sociais às situações vividas. A guerra cria alterações indeléveis na sociedade, e os nossos jovens serão a prova disso», explica, considerando estas “novidades” como positivas.
Entidades espanholas e portuguesas juntaram-se para celebrar o marco histórico
Debruçando-se sobre o tema da guerra, Amílcar Falcão foi imperativo nas suas declarações e relembrou que estes conflitos não se resolvem com «choro» e «simpatia». «Para evitar a guerra é preciso mostrar os dentes. Não é agradável, mas é necessário», sublinha.
Por sua vez, o presidente da CIMRC elevou a assinatura do Tratado de Adesão como um dos pontos de viragem na comunidade portuguesa. «Só a partir do momento em que Portugal entrou na CEE [atual UE] é que se adotaram medidas cruciais para garantir o desenvolvimento local». Com a entrada em simultâneo da Península Ibérica, passou a existir uma ligação quase imprescindível entre Portugal e Espanha, e essa conexão mantém-se até hoje. «Existe uma ponte entre os dois países, países irmãos, que partilham uma cultura rica», indica, desenvolvendo, «a CIMRC trabalha regularmente para manter uma ligação com Espanha, para promover o desenvolvimento da cidadania e da Península Ibérica».
O alinhamento de objetivos entre os países peninsulares também se relaciona com a vivência de «duas ditaduras» que mostra uma «história unida» que fez as duas nações crescer de formas semelhantes. «É muito interessante ver que estar em Lisboa ou em Madrid nos traz um sentimento parecido, de casa», uma mostra da europeidade adotada.
Erasmus em destaque no discurso do reitor
Amílcar Falcão deu especial atenção ao Programa Ersamus, que permite conhecer novas culturas. Como referiu, na “sua” altura os países pareciam mais distantes, porém, atualmente, existe uma dinâmica europeia definida.
«Quando estive a estudar em Salamanca vivi uma experiência muito diferente. Os espanhóis vivem mais intensamente que nós. Atualmente as coisas mudaram um pouco, sentimo-nos na mesma em casa porque criámos uma nacionalidade europeia que na altura ainda não era nada visível».
Conservatório de Música de Coimbra presente na cerimónia
Alguns dos alunos do conservatório conimbricense marcaram presença no evento para tocar alguns temas, talhados para o momento. Os jovens, de 15 anos, terminaram o seu momento musical com a “9.ª Sinfonia de Beethoven”, o “Hino à Alegria”, hino da UE.











