
Arguido admite tráfico de droga em folhas de papel
Julgamento começou esta manhã no Tribunal de Coimbra. O "cabecilha" do crime de tráfico dentro da prisão disse que tomou contacto com aquela droga no interior da cadeia, quando foi detido, e acabou por ficar viciado.
Depois, pediu à mulher, colombiana, para lhe encomendar as ditas folhas impregnadas com droga (que são fumadas em tiras) através da internet e lhas fazer chegar ou nas visitas ou via postal. Ressalvou, porém, que disse à mulher que «não era ilegal e que prejudicava menos que cannabis».
A declarações do arguido, feitas por videoconferência, acabaram por ser suspensas por não se ouvir correctamente, o que levou um advogado e um recluso a queixarem-se ao Tribunal Coletivo que está a julgar o caso. Estará assim presente na próxima sessão do julgamento.
Foi ainda ouvido um chefe da Guarda Prisional da Cadeia de Coimbra que deu conta da grande dificuldade de detetar aquelas folhas nas celas uma vez que as folhas se confundem com as folhas A4 “normais”. Referiu ainda que há registo de casos de reclusos que tiveram mesmo de receber tratamento hospitalar na sequência do consumo daquela droga.
Para além deste arguido, há mais três reclusos e uma mulher acusada, que é esposa do "cabecilha". O pai de um dos reclusos também está a ser julgado por ter entregue folhas ao seu filho.
A rede de tráfico para dentro do Estabelecimento Prisional (EP) de Coimbra era liderada por um homem de 39 anos, que estava preso desde 2021 a cumprir uma pena de oito anos por contrafação de moeda, e a sua mulher, de 43 anos, que estava em liberdade e que passou a residir na cidade a partir de 2022.
A mulher do arguido era alegadamente responsável por contactar pessoas no Reino Unido para encomendar as folhas de papel e depois assegurava a sua entrada no EP de Coimbra, por via de outros presos (através de correio ou saídas precárias) ou por via de familiares, nas visitas à cadeia.
Dentro da prisão, o arguido ficaria responsável por vender as folhas a outros reclusos, para consumo ou revenda.
O esquema esteve a funcionar quase dois anos












