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Alfonsina Strada: uma mulher exemplo por amor ao ciclismo

Espetáculo na Casa da Esquina conta, amanhã e sábado, a história da primeira mulher a “ousar”, em 1924, fazer o Giro de Itália lado a lado com um pelotão de homens

Alfonsina Strada. Arriscamos dizer que será, para muitos, um nome desconhecido. No entanto, esta mulher, que viveu numa Itália conturbada do final do século XIX até aos anos 50 do século XX, ousou quebrar estereótipos e fazer da paixão pelo ciclismo uma forma de questionar o papel da mulher, da mulher desportista e da mulher como ser humano.
Alfonsina Strada, uma filha de camponeses e de famílias pobres, foi em 1924, a primeira mulher a correr o Giro de Itália, lado a lado com o pelotão masculino e transformou-se numa ciclista profissional com várias conquistas de recordes femininos no ciclismo mundial.
É, portanto, «uma mulher esquecida» pela História, mas cuja história vale a pena conhecer. É, aliás, esse o desafio lançado agora com “Memórias de Alfonsina Strada”, um monólogo para uma atriz interpretado por Helena Faria, que se apresenta amanhã e sábado, a partir das 19h00, na Casa da Esquina em Coimbra.
«Na altura, a sua participação no Giro foi um escândalo. Uma mulher a provar que era capaz daquilo que estava convencionado que só os homens eram capazes», comenta, ao Diário de Coimbra, Helena Faria, concordando que, tantos anos depois, Alfonsina Strada, deve ser encarada como «um exemplo de luta pelo lugar da mulher na sociedade», tão importante na altura, como hoje.

 

Espetáculo conta com a voz da cantora Dalila Couti

«Uma mulher esquecida pela História», recordada no ano passado, quando passaram 100 anos sobre o seu “feito”, em Itália, e, portanto, relembrada durante a prova de ciclismo.
Em Coimbra, mais propriamente na Casa da Esquina, dá-se a conhecer através de um texto de José Geraldo, que é também responsável pela encenação, que revisita as “Memórias de Alfonsina Strada” através de uma viagem retrospetiva pela sua vida e que funciona como uma verdadeira «homenagem às mulheres, ao desporto, ao ciclismo, à liberdade, à luta e aos sacrifícios necessários para atingir um objetivo».
Helena Faria, que há dois anos já tinha, pela primeira vez, visitado este texto numa sessão de leitura encenada que decorreu no Centro Cultural Penedo da Saudade do Politécnico de Coimbra, é a única atriz em palco, mas partilha-o com a cantora Dalila Couti que «funciona como se fosse a pessoa eterna, a que fica para lá da história», confirma.
Uma história de luta e de superação, com vários momentos de tristeza que pautam a vida desta mulher e que, portanto, prometem emocionar o público.
“Memórias de Alfonsina Strada” é um projeto apoiado pelo Ciclo de Teatro e Artes Performativas - Mimesis da Universidade de Coimbra.

Maio 15, 2025 . 17:00

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