
Histórias e memórias no Museu Municipal “Peregrinações”, em Montemor-o-Velho
Depois de recuperado do ponto de vista arquitetónico, para regozijo de muitos montemorenses, no Convento de Nossa Senhora dos Anjos - cuja origem remonta ao final do século XV e que ao longo da sua história foi restaurado duas vezes, classificado como Monumento Nacional em 1910 - está agora instalado o Museu Municipal de Montemor-o-Velho. Denominado “Peregrinações”, abriu ontem ao público num momento «muito especial» para todos os presentes, em particular para Emílio Torrão, presidente da autarquia, por se tratar «de um espaço que honra a nossa história. Uma comunidade sem história é uma comunidade sem memória e sem rosto», disse.
Dividido em dois pisos, os visitantes são convidados a imergir no período áureo dos Descobrimentos Portugueses, com uma vincada homenagem a Fernão Mendes Pinto, missionário português e autor da obra “Peregrinação”, «uma das mais traduzidas, ultrapassando mesmo Luís de Camões», porém, «não teve prestígio em Portugal», lamentou o edil. Nascido em 1509, Fernão Mendes Pinto é um “filho da terra” que acabaria por rumar ao Oriente, deixando marcas por terras do Japão. «Tínhamos esta dívida para com ele», e «temos de ter orgulho das personagens notáveis» que fazem parte da história do concelho, aqui contada de forma cronológica.

Entendendo que a evocação de Fernão Mendes Pinto «mostra a tenacidade dos portugueses», Ana Paula Laborinho, diretora em Portugal da Organização dos Estudos Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura, referiu que esta «figura maior que aqui é celebrada» deve ser apresentada por todos os que vivem em Montemor «como modelo e como alguém que inspira e deve inspirar os mais novos». O Museu Municipal «é um lugar mágico e de memória mas que se projeto no futuro. É uma obra magnífica que terá continuidade e que vai continuar a surpreender», afiançou.
Isso mesmo evidenciou Paulo Monteiro, da empresa Glory Box, responsável pelo projeto museográfico. « Esta é a primeira fase de um sítio único e mágico que faz parte do imaginário das gentes de Montemor, património milenar que já foi uma ruína e que renasce agora com uma função cultural, polivalente e com diferentes temáticas feito de pessoas para pessoas. «Façam desta a vossa casa», apelou Paulo Monteiro.
Aos visitantes que assim o solicitem, o Museu dispõe de uma equipa que os guiará pelos 17 pontos de interesse
A finalidade de outrora do agora Museu não foi esquecida, com o jardim central ladeado de belíssimos claustros a transmitirem «paz e tranquilidade» a todos os visitantes com uma sala (no piso zero) onde uma projeção de vídeo convida a conhecer como era o dia a dia dos monges no Convento. Já no piso superior , encontram-se algumas das peças recuperadas de outrora. Também aqui, a tecnologia tem um papel fundamental (num claro compromisso entre o passado e o futuro), dando a conhecer de uma forma mais «impactante e interativa» a obra e a vida de Fernão Mendes Pinto.
Por tudo isto, Emílio Torrão afiançou que «estamos todos obrigados a ter orgulho em Montemor-o-Velho, concelho que foi muito importante no passado, recordando as suas figuras ilustres».











