
Peregrinos guiados pela fé e também pela experiência a caminho de Fátima
Os rostos já mostram o cansaço dos quilómetros já acumulados nas pernas. Se nos últimos dias a chuva se fez sentir, ontem o sol e o calor marcaram presença e fizeram-se sentir nos corpos (e nas pernas) de quem estava a percorrer as estradas do país em direcção ao Santuário de Fátima. Este ano, e à semelhança do que normalmente sucede, grupos de peregrinos, começaram cedo a fazer o percurso rumo ao Santuário de Fátima e aproveitaram o feriado de ontem para “pôr os pés ao caminho” e fazer o percurso. Uns guiados pela fé, outros pela experiência e até pelo desafio. Certo é que todos têm o desejo de lá chegar, para pagar as suas promessas, cumprir o que prometeram ou, simplesmente, rezar e viver momentos introspetivos. Ou ainda, como acontece com um grupo de saiu de Lourosa, em Santa Maria da Feira, para pedir força e apoio num diagnóstico de doença oncológica.
No caminho são guiados pela fé até Fátima. As dores que sentem nas pernas, as bolhas que os pés vão acumulando (e que ontem já eram muitas, pelas queixas ouvidas) e o cansaço são “esquecidos” e os quilómetros somam-se a cada dia. Os coletes reflectores dão, por estes dias, uma cor ao bulício do dia-a-dia e quase todos respeitam os que a pé mostram a sua devoção a Nossa Senhora de Fátima. Quase todos, porque como nos referiram os elementos deste grupo, incentivam quem passa na estrada ou oferecem água e outros bens, numa altura em que o apoio das diversas entidades ainda é escasso ou nenhum, como frisaram ao Diário de Coimbra.
Ontem, perto da hora do almoço, na zona de Santa Luzia, o grupo de Lourosa procurava um restaurante para fazer uma pausa e confortar o estômago. No grupo, com estreantes e outros já com larga experiência nas peregrinações, o sorriso escondia os 30 quilómetros que já tinham percorrido desde Águeda. Isto porque no feriado do 25 de Abril foram de Santa Maria da Feira a Águeda e ontem, saíram do local onde tinham parado para rumar ao Santuário, onde pretendem chegar amanhã. Quase todos família, o grupo de Lourosa (onde se incluía um elemento de Vila Nova de Gaia), tinha saído às 6 da madrugada para começar mais uma etapa. O calor fazia-se sentir e a fome também. Porém, fizeram uma pequena pausa para conversar com o nosso jornal e contar um pouco da experiência desta jornada.
Carlos Carneiro, pela primeira vez a caminho do Santuário a pé, foi pela primeira vez para «cumprir uma promessa». Porém, agora já não é assim. Vai para «pedir saúde e força para ultrapassar alguma dificuldade que surja na vida», e para cumprir. Porque, e como há uns anos lhe disse um empresário com quem se cruzou na zona de Pombal, «se as pessoas tiram férias por vários motivos, também se deve/pode tirar para peregrinar até Fátima». Usando o feriado, férias ou folgas, juntaram-se em grupo para cumprir o caminho da fé.
Paulo Martins, Joana, Emília e Carlos Carneiro, Daniela Nogueira, Nuno Assunção, Fernando Santos e Pedro Ferreira ainda iam cumprir mais 18 quilómetros até à paragem do dia de ontem, mas já ansiavam «passar a parte de Santa Catarina e vislumbrar a rotunda dos Pastorinhos». Até lá, garantiam ocupar o tempo do percurso «quase sempre a conversar». Mas terá de haver «muita conversa pois são muitos quilómetros a andar» até chegar sábado ao destino. Este ano foram pela estrada nacional, mas não enjeitam a possibilidade de numa outra peregrinação seguir o Caminho de Fátima. Por agora, esta foi a escolha.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:












