
Afocelca na vanguarda para a proteção florestal
Criada em 2002 pela união de esforços entre as empresas Aliança Florestal (Portucel-Soporcel), Celbi (Stora-Enso), e Silvicaima (Caima), a AFOCELCA é uma empresa de protecção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais, com implementação ao nível nacional. Atualmente é detida pelas empresas florestais dos grupos ALTRI e The Navigator Company, sob a forma de um Agrupamento Complementar de Empresas, e apresenta já um longo percurso tendo reforçado a sua presença, notoriedade e reconhecimento a nível nacional.
«O balanço é positivo, pois a atividade da AFOCELCA é reconhecida a nível interno e externo, uma vez que ao longo destes anos tem sido pioneira em técnicas de combate a incêndios rurais», afiança Sérgio Gomes, que é diretor executivo da empresa desde 2021. Apesar de considerar que muitas vezes é «uma luta inglória, porque é muito difícil combater a própria natureza, que sai sempre a ganhar», o responsável orgulha-se do «trabalho meritório» que tem sido desenvolvido.
Saliente-se que a missão deste centro de coordenação operacional passa por estabelecer e manter um dispositivo de proteção florestal, que responda à ameaça dos incêndios rurais não só para o património das empresas agrupadas, mas também para a floresta envolvente, em estreita colaboração com os demais intervenientes do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
De acordo com os dados da empresa, nos últimos dez anos registou 6.598 incêndios combatidos e 49.372 alertas de incêndios analisados. «Os incêndios são cada vez mais violentos e isto deve-se às alterações climáticas e ao abandono do meio rural», esclarece Sérgio Gomes, dando conta da necessidade da empresa, ao longo dos anos, se «reinventar na adaptação de técnicas» e no «aumento da implementação de maquinaria, em detrimento dos recursos humanos». O responsável refere que, atualmente, dispõem de três helicópteros, oito máquinas de rasto, 33 veículos pesados e 14 veículos ligeiros como meios de combate a incêndios.
De salientar que a empresa tem à sua responsabilidade o planeamento e a execução do sistema de proteção AFOCELCA, onde se inclui, nomeadamente, a contratação de meios humanos e materiais, como já mencionado, bem como a condução de processos de formação e o planeamento e a gestão de operações.
Planos de fogo controlado são uma “vantagem”
Adicionalmente, o uso do fogo é também uma área em expansão onde se destaca a criação de planos de fogo controlado, o planeamento de operações e a execução de queimadas e fogo controlado. Assim, desde 2019, o uso do fogo, nas suas diferentes tipologias, passou a ser uma das atividades regulares da AFOCELCA considerando o planeamento e a execução. Sérgio Gomes garante que a aplicação desta técnica «é importante» e «é uma vantagem», tendo em conta que se constitui como uma ferramenta de treino operacional para o combate a incêndios rurais através da limpeza da vegetação nos terrenos. «Como se diz na gíria, ‘o que arder no inverno, não vai arder no verão’», comenta o director executivo da AFOCELCA, evidenciando que esta metodologia «é uma forma de gestão e de proteção do património».
Operações de ataque inicial
Tendo participado em mais de 13 mil cenários de operações desde a sua criação, o combate a incêndios rurais é a principal atividade da AFOCELCA, que continua a basear a sua atuação em critérios técnicos como a minimização dos tempos de resposta e a utilização dos conceitos de dano e perigo potencial para definição e gestão do dispositivo de proteção. Partindo da lógica que todos os incêndios começam pequenos e, por conseguinte, a redução do tempo de resposta pressupõe uma maior probabilidade de enfrentar um problema menor, a empresa especializou-se em operações de ataque inicial, procurando eliminar o seu problema na sua fase nascente. Contudo, ao longo dos anos, o sistema da AFOCELCA foi aumentando a sua capacidade de ação em ataque ampliado, sem comprometer os seus princípios de base.

Formação é “forte aposta” para o futuro na proteção das florestas
Desde o seu início que o projeto AFOCELCA compreende uma “forte aposta” na criação e disseminação do conhecimento e em novas metodologias de trabalho, sendo este um dos grandes legados que ainda mantém. Aliás, esta aposta ganha uma nova visibilidade com a certificação da empresa enquanto entidade formadora, concedida pela DGERT em 2022.
«A formação será sempre a nossa bandeira», sublinha Sérgio Gomes, diretor executivo da AFOCELCA. De acordo com o responsável, desde 2023 que é dada formação a todos os recursos humanos da empresa. «É uma aposta ganha, porque conhecemos as pessoas logo no seu primeiro ano de actividade e o nosso objetivo passa por evoluir e trazer conhecimento no combate aos incêndios, sempre de mão dada com a segurança», evidencia Sérgio Gomes, explicando que são dadas não só «noções básicas», como também «nível avançado» para permitir «inovar nas metodologias no combate aos incêndios».
Não obstante, este centro de coordenação operacional também presta formação a entidades externas, uma vez que, nos últimos dez anos, registou que 90% das atuações das suas equipas para a proteção da floresta aconteceram nas zonas envolventes ao património das empresas agrupadas.
Nesse sentido, estão já agendados diversos cursos para 2025. De referir que a formação inicial de operações de extinção de incêndios rurais terá lugar em Almeirim, Fundão e Valongo, enquanto o nível avançado será dinamizado na Figueira da Foz. Neste caso serão seis cursos a decorrerem em horário laboral, com a duração total de 25 horas cada um, cujo objetivo é dotar os formandos de conhecimentos que lhes permitam chefiar uma equipa em operações de extinção de incêndios rurais. O primeiro arranca dia 31 deste mês. Já em abril realizam-se três, com início nos dias 7, 15 e 22. Já em maio acontecem mais dois, com início nos dias 21 e 28.
Entretanto, a 19 de maio está já previsto arrancarem mais dois cursos na Figueira da Foz: um de logística e apoio em operações de extinção de incêndios rurais e outro de segurança em incêndios rurais (ambos com a duração de quatro horas). Já a 26 de maio começa o curso de planeamento em operações de extinção de incêndios rurais, com a duração de oito horas.
Ainda sem data de início marcada, mas com a intenção de avançar estão os cursos de iniciação às operações de extinção de incêndios rurais com helicópteros e o outro com máquinas de rasto. O primeiro terá lugar na Figueira da Foz, enquanto o segundo será no Redondo.











