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Debate Autárquicas Coimbra: Da expansão do metrobus à gratuitidade dos transportes públicos

Requalificação da Baixa, turismo, mobilidade, desenvolvimento económico e habitação foram alguns dos temas abordados pelos candidatos no debate ontem realizado

José Manuel Silva (Juntos Somos Coimbra), Ana Abrunhosa (Avançar Coimbra), José Manuel Pureza (Bloco de Esquerda) e Maria Lencastre (Chega), candidatos à Câmara Municipal de Coimbra, deixaram, ontem, as suas visões de como veem a cidade a 10 anos. O metrobus, os SMTUC e a Baixa foram alguns dos temas em destaque no debate “A Política e as Profissões”, promovido pelo Forum Regional do Centro das Ordens Profissionais (FoRCOP), moderado pelo jornalista José Manuel Portugal e que encheu a Sala de São Tomás no Seminário Maior de Coimbra.

«Coimbra tem todas as condições para ser um polo de cultura e desenvolvimento reconhecido, de qualidade, a nível nacional e internacional», adiantou o atual presidente da Câmara Municipal de Coimbra, certo de que «Coimbra precisa de aproveitar todo o potencial de ser o centro do país».

«Transformámos Coimbra em todos os campos», salientou, destacando o que vai representar no futuro o facto de alta da cidade vir a passar no centro de Coimbra.

«Daqui a 10 anos, que as pessoas possam ter recuperado orgulho de ser e viver em Coimbra. Que Coimbra seja capaz de atrair muitos para cá, atrair talento e que os jovens que vem estudar e não ficam, que fiquem», salientou Ana Abrunhosa, acrescentando que vê «Coimbra como um concelho mais jovem, mais inclusivo e mais aberto, uma Coimbra limpa, bonita, com espaços verdes cuidados e vividos, que devolve espaço publico às pessoas, com mobilidade mais verde, inclusiva e inteligente».

Classifica o metrobus – que espera que se consolide na cidade - e a alta velocidade como «símbolos de progresso e centralidade» de uma Coimbra «que terá de ser coração de uma região dinâmica». «Seremos capaz de liderar pelo exemplo», continuou, referindo que Coimbra deve ser «solidária e parceira dos vizinhos, mas referência nacional e internacional».

«Gostaria, sem saudosimo, de devolver à cidade a dignidade que sempre teve até há uns 10/15 anos. Coimbra foi perdendo qualidade e importância a nível nacional e internacional», lamentou Maria Lencastre, referindo que o concelho tem «cada vez menos importância no plano da saúde, cada vez tem menos importância no ensino». «Não é justo que continue desta forma. É necessário cuidar das pessoas e pôr as pessoas no centro», sustentou a candidata do Chega, que, ao nível da habitação criticou a criação de habitação social na Quinta das Bicas, ponto também criticado por José Manuel Pureza.

O candidato do Bloco de Esquerda considera que se vive numa «situação de profundo cansaço causado pela frustração de expetativas» e de «enorme desconfiança em relação à governação». Como tal, para José Manuel Pureza, o «grande projeto estrutural», mais do que projetos físicos (como o Palácio da Justiça ou a maternidade), deve ser promover «uma comunidade que seja sólida, coesa, uma cidade e concelho habitável, justo, vivo e que tenha na cultura pilar».

«Precisamos de mudar e mudar mesmo», com «humildade e arrojo», salientou.

 

Debate Com Candidatos à Câmara De Coimbra Fig 7

“Redundâncias”

Durante o debate, José Manuel Pureza defendeu a gratuitidade dos transportes públicos, dando como exemplos algumas cidades europeias. Sobre esta matéria Ana Abrunhosa disse que será algo a pensar, no entanto, alertou «há cidades em que se introduziu a gratuitidade e a qualidade diminuiu». José Manuel Silva salientou que, para tal, teriam de ser redirecionados entre a 10 a 12 milhões de euros do orçamento municipal.

A nível de transportes públicos, Ana Abrunhosa salientou a necessidade de manter a oferta mesmo em período de pausa letiva e «levar transportes a todas as freguesias», com José Manuel Silva a destacar que «não há freguesias sem transporte», no entanto, há a possibilidade de reforçar com a libertação que a entrada em funcionamento do metrobus poderá permitir.

«Corremos um risco: ter redundâncias com SMTUC. Tudo incúria da Câmara Municipal», salientou José Manuel Pureza, enquanto Maria Lencastre optou por criticar o traçado do metrobus. «Não vai beneficiar rigorosamente nada a cidade», referiu.

A requalificação da Baixa também esteve em destaque. Sobre esta matéria, José Manuel Pureza defende, mais do que a reabilitação do edificado, a reabilitação social. «Não é o um exercício de engenharia descarnado», disse, lamentando o previsto atravessamento rodoviário do Choupal, para a com a construção de uma nova ponte.

Ana Abrunhosa salientou que importa «não só cuidar daquele corredor central» e atrair atividade económica. «Há pessoas que não desistiram da Baixa, mas a Baixa tem sido abandonada, descuidada», lamentou.

José Manuel Silva destacou a instalação de três multinacionais na Baixa, a inauguração do TUMO, o investimento na cultura e não tem dúvidas de que «o metrobus vai mudar o panorama da Baixa». Destacou ainda a triplicação das câmaras de vigilância e alertou que «é preciso preencher quadros de força segurança» para permitir mais policiamento de proximidade.

Maria Lencastre critica a burocracia como «grande problema», a que acrescenta o estacionamento e a falta de segurança. «Eu tenho medo de ir à Baixa», referiu, ao defender que importa «devolver» a Alta e a Baixa às famílias e ao comércio tradicional.

Debate Com Candidatos à Câmara De Coimbra Fig 6

Coligações à Direita e à Esquerda em Coimbra

O atual presidente de Câmara, José Manuel Silva, encabeça a lista Juntos Somos Coimbra, que vai contar com o movimento Somos Coimbra e o PSD, enquanto mais à esquerda, uma outra coligação, com o PS, aparece liderada por Ana Abrunhosa.

Para a recandidatura, o autarca conta ainda com CDS-PP, Nós, Cidadãos!, PPM, Volt e MPT, que já integraram a coligação em 2021, aos quais também se junta agora a IL (o RIR decidiu sair do projecto).

A antiga ministra da Coesão Territorial Ana Abrunhosa vai encabeçar a coligação liderada pelo PS, intitulada Avançar Coimbra, que junta o Livre, movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) e PAN. A também antiga presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) ambiciona reconquistar a Câmara para o PS – depois de o partido ter falhado a reeleição de Manuel Machado em 2021.

A CDU, que tem perdido votos nas últimas duas décadas, volta a recandidatar Francisco Queirós, vereador eleito pela coligação que junta PCP e “Os Verdes” desde 2009, tendo assumido pelouros em executivos liderados por partidos diferentes.

O Bloco de Esquerda, que apoiou o CpC nas últimas três eleições autárquicas, considerou que o movimento esgotou-se enquanto força política (não elegeu vereador em 2017 e 2021) e, recusando integrar a lista liderada pelo PS, apresenta-se a votos com o antigo deputado José Manuel Pureza.

Já o Chega, que nas últimas autárquicas elegeu um deputado municipal (e que entretanto se desvinculou do partido), apresenta uma lista encabeçada pela assistente social da Universidade de Coimbra Maria Lencastre Portugal, militante daquele partido desde 2023, depois de ter estado no CDS-PP desde os 18 anos.

A coligação Juntos Somos Coimbra tem maioria absoluta na Câmara Municipal, onde conquistou seis dos 11 lugares, com o PS com quatro vereadores e a CDU um. Apesar de liderar o executivo, a coligação Juntos Somos Coimbra não tem a presidência da Assembleia Municipal, que é dos socialistas.|

Debate Com Candidatos à Câmara De Coimbra Fig 3
Setembro 6, 2025 . 18:00

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