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Associação de Paralisia Cerebral de portas abertas à comunidade

Instituição apresentou as suas valências e os serviços que presta e considera fundamental esta ligação estreita com a comunidade. Um primeiro passo para uma efetiva inclusão

Tem dificuldade em agarrar no lápis, mas quando começa, Nelson Pires mostra a sua alma de artista. Tem um traço, uma identidade própria, conferida pela genialidade e pelas limitações. Frequenta a Oficina de Pintura Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) e ontem participou no Dia Aberto, integrado nas comemorações dos 50 anos da APCC e no “Desafiar a Inclusão”, iniciativa promovida no âmbito da Rede Social, que envolveu as instituições da área. Um dia de portas abertas para acolher todos, além dos amigos, familiares e bons vizinhos– como as crianças da Escola da Quinta das Flores – que habitualmente ali se dirigem e ontem não faltaram. Um convite à comunidade para conhecer o que é e o que faz a APCC.

«Todos devem vir», diz o presidente da direção, Carlos Soares. E quem não teve possibilidade ontem, pode ir em qualquer altura. «Estamos sempre de portas abertas e todos são bem vindos». «É importante que as pessoas saibam que existimos e os serviços que prestamos. Estamos aqui para ajudar», refere a diretora técnica, Cristina Soutinho.

Uma ajuda que começou há 50 anos e que hoje faz da APCC a «maior associação» do país nesta área e a entidade que «mais respostas sociais assegura», diz o presidente. Um trabalho em diferentes frentes, que acompanha toda a vida dos utentes. «Temos protocolos com maternidades», explica, o que significa que mesmo antes de nascer, as crianças com problemas de paralisia cerebral começam a ter acompanhamento, que se prolonga até ao final da vida, na instituição, na escola ou na família.

Em diferentes vertentes, pois ao lado de uma população residente (três lares), há um leque alargado de utentes a quem assegura respostas terapêuticas e médicas, seja na Quinta das Flores, no Centro de Reabilitação, ou na Quinta da Conraria, em Ceira. Ali, na quinta, há também uma oferta formativa alargada e produção de hortícolas. «Somos praticamente autosuficientes», refere o presidente. Os excedentes são vendidos nos mercadinhos, à quinta e à sexta-feira, respetivamente na Conraria e no Centro de Paralisia.

A APCC abrange toda a região Centro e ainda dá apoio a utentes de vários pontos do país e ilhas. Só no concelho de Coimbra cumpre um circuito de transporte, com 13 carrinhas, que vão buscar os utentes a casa e os levam para a instituição, onde passam o dia, nas mais diversas atividades, lúdicas e terapêuticas, que procuram potenciar as suas capacidades. «Percorremos diariamente mais de 3.000 km», o que representa um custo médio mensal, só em combustível, a rondar os 12 mil euros.

Quilómetros à parte, muitos dos trabalhos efetuados nessas oficinas e ateliers estavam ontem expostos. Ricardo, com um capacete na cabeça, comanda criteriosamente os movimentos da caneta associada ao equipamento e faz os seus trabalhos artísticos. É preciso muita técnica e uma perseverança sem limites. Paulo Ferreira, o formador, acompanha o trabalho e desafia os visitantes a experimentar

O terapeuta ocupacional, Luís Almeida, apresenta uma sala concebida para utentes com baixa visão. Um espaço mais escuro, onde os pontos de luz procuram ser o foco de atenção e se encontram brinquedos especiais, criados com materiais específicos e especialmente concebidos para crianças com baixa visão. Um projeto em desenvolvimento, para «emprestar às famílias» e a escolas. Mas há mais brinquedos, adaptados. «As crianças aprendem a brincar», lembra. Por isso, é essencial adaptar os brinquedos acionados por botões, de forma a serem manobrados com o pé, com a mão ou com o cotovelo. Ali está uma pequena amostra. O alfobre está na Ludoteca, onde decorreu uma reflexão sobre que tipo de cidadania se está a desenvolver para pessoas com deficiência e as muitas barreiras que existem a uma verdadeira inclusão, sobretudo barreiras “atitudinais”.

Um dia aberto onde não faltaram os jogos, o teatro e até o mercadinho de hortícolas e que permitiu conhecer melhor a APCC e o trabalho que ali se faz. Um exercício importante, pois, como diz Carlos Soares, «ver o filme da vida não é viver, é preciso passar por ela!»

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Junho 7, 2025 . 07:20

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