
Fármaco contra a malária vai chegar ao mercado nacional via ICNAS Pharma
O ICNAS Pharma, entidade da plataforma avançada do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra para a produção e desenvolvimento de radiofármacos, vai ser a entidade responsável pela introdução no mercado nacional de um medicamento para a malária, fabricado pela Farmanguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O acordo de parceria estratégica para o lançamento do medicamento, cujo princípio ativo é a primaquina, foi ontem celebrado na Sala do Senado entre a UC e a Fiocruz, nove meses depois do início da parceria. Enquanto isso, já está em preparação a introdução no mercado brasileiro dos radiofármacos produzidos pelo ICNAS Pharma, o que deverá acontecer dentro de meses.
«O ICNAS Pharma, como tem as autorizações europeias da comercialização de medicamentos, vai ser o titular da autorização de introdução no mercado português» do medicamento para a malária, explicou Antero Abrunhosa, diretor do ICNAS e do ICNAS Pharma.
O medicamento em causa já é produzido e comercializado no Brasil e foi ontem submetido ao Infarmed para a devida autorização da comercialização no nosso país, com base nas normas europeias.
«O medicamento vai ser produzido lá, vai ser testado cá e depois vai haver o que nós chamamos de libertação no espaço europeus, que vai ser feita aqui, obviamente em Portugal. Ou seja, o medicamento vai ser acreditado, segundo as normas europeias para ser comercializado», reforçou Antero Abrunhosa.
Dentro de meses, radiofármacos produzidos pelo ICNAS Pharma estarão no mercado brasileiro
O responsável salientou que, embora a malária não seja «uma situação de emergência em Portugal», vão-se verificando alguns casos, «por via da imigração, dos turistas portugueses», mas também devido às alterações climáticas. «Portanto, nós começamos a estar dentro da zona onde pode vir a ser um problema e é importante não estarmos desprevenidos e termos medicamentos para tratar», justificou, referindo que o princípio ativo em causa «é o mais eficaz e não existe em Portugal».
Paralelamente, continuou, «há o interesse de virmos a colocar produtos nossos também no Brasil e isso é uma discussão que também já está em curso e que nós esperamos ter novidades dentro de meses».
«Temos uma oportunidade de crescer juntos. Podemos ir muito longe», acrescentou.
Na cerimónia de assinatura da parceria, Mário Moreira, presidente da Fundação Oswaldo Cruz, destacou que a colaboração «é um passo para a internacionalização da Farmanguinhos».
Olga Calado, diretora do ICNAS Pharma, apresentou o caminho, desde o início da parceria, destacando o que representou o desafio de regulamentar a entrada do fármaco no mercado nacional.
O facto de a parceria ser a primeira entre institutos públicos para a introdução de um medicamento em Portugal foi destacado pelo reitor Amílcar Falcão e pelo vice-reitor Bruno Mendonça.











