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“1326” brinda a 700 anos de história e património

Parceria entre a Quinta das Lágrimas e a Praxis resultou na criação de uma cerveja que celebra sete séculos de uma herança única

Riquíssima», «saborosa» e «cremosa». Assim se define uma cerveja especial, que encerra uma longa história de 700 anos, celebra o património e a mais trágica história de amor conhecida em Portugal. 1326, uma nova marca, um novo produto que resulta de uma aliança entre a Praxis, empresa que devolveu a Coimbra a sua herança cervejeira, e a emblemática Quinta das Lágrimas, que celebra 700 anos. A apresentação decorreu ontem, precisamente junto à Fonte dos Amores, testemunha silenciosa da paixão de Pedro e Inês e fonte de inspiração do logótipo da elegante garrafa que apresenta esta cerveja preta.

Miguel Júdice falou no desafio que lançou à «família Baptista», primeiro ao filho, Pedro, depois ao pai, Arnaldo, no sentido de celebrar os 700 anos da Quinta das Lágrimas com uma cerveja. Uma história que remonta a 1326, com a ordem expressa pela Rainha Santa Isabel para «a construção desta fonte e deste canal, que canalizava a água até ao Convento de Santa Clara». Uma ideia que surgiu, contou, pelo facto de estes 700 anos nos levaram aos tempos da Idade Média, às tradições da cerveja artesanal associadas aos mosteiros, numa ligação estreita com a água. «Para nós este é um momento especial, num sítio mágico», afirmou o administrador-delegado da Quinta das Lágrimas.

Uma parceria que «é um exemplo de ligação entre duas empresas, uma secular que representa o património romântico, histórico e cultural» e outra que se tem «afirmado como instituição resgatadora de um património secular que desapareceu da cidade» e que voltou a «fabricar cerveja», usando precisamente a água de Coimbra, disse Pedro Baptista. Para o empresário, este é um exemplo de como as empresas além do seu papel na «dinamização social e económica», podem ter um desempenho «cultural na sociedade».

Entre o romantismo da Fonte dos Amores e e o pragmatismo da Praxis, surge a 1326, uma cerveja amplamente saboreada e elogiada pelos muitos convidados que se juntaram para testemunhar o lançamento. Água de Coimbra, cevada e trigo maltado são os principais ingredientes, a que se junta aveia, lúpulos e leveduras e o resultado é uma bebida plena de história e de sabor, que levou Pedro Baptista a admitir que se Pedro e Inês a tivessem provado, certamente o final da sua história trágica seria outro.

O «pai Arnaldo», ou melhor, o empresário Arnaldo Baptista – que no Dia da Cidade vai ser agraciado com a Medalha de Mérito Empresarial, como fez questão de lembrar o vice-presidente da Câmara Municipal, Miguel Antunes – falou no «orgulho» desta parceria e no «estímulo» que representa para prosseguir esta longa caminhada onde também a família Baptista sentiu a «necessidade de fazer a ponte com o património» da cidade. Um património cervejeiro que, recordou, começou na Quinta do Cidral, no primeiro quatro do século XIX e se tornou uma referência nacional com as marcas Onix e Topázio. Cervejas de Coimbra que acabaram por desaparecer nos anos 80 do século passado. Ainda chegaram a ser produzidas na Vialonga, em Lisboa, «mas não era a mesma coisa», disse, lembrando o «sentimento de orfandade» que ficou. «Faltava a Coimbra a sua Fábrica da Cerveja!».

E foi esse desígnio que a família Baptista, proprietária da marca Vasco da Gama, assumiu, com a criação da Praxis que, anos depois, conseguiu começar a produzir Topázio e Onix e acabou por “convencer” a Central de Cervejas e a recuperar para si as icónicas marcas da cerveja de Coimbra. |

Julho 3, 2026 . 07:45

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