Ponto de partida (de novo)
De vez em quando a realidade obriga-nos a tomar um banho gelado que nos tira do conforto diário em que tanto gostamos de viver, algo para o que Camões já há tanto tempo nos tentou avisar: “Estava linda Inês posta em sossego, de seus anos colhendo doce fruto, naquele engano d’alma ledo e cego que a Fortuna não deixa durar muito”.
A revisão demográfica finalmente realizada pelo INE trouxe a boa notícia de que a população residente em Portugal aumentou de cerca de 10,5 em 2021 para 11,4 milhões em 2025. Esta variação deve-se principalmente à entrada de imigrantes, que se sobrepõe a um saldo natural negativo e a uma emigração de jovens. A actualização da população obrigou, contudo, a uma revisão de dados económicos que definem a evolução da economia e respectiva comparação com os outros países. Em consequência, dado que o produto nacional não cresceu como a população, o nosso PIB per capita em paridades de poder de compra equivalente passou a ser de 77% da média da União Europeia. Como antes da revisão demográfica essa percentagem era de 81%, isso significa que descemos da 18ª para a 22ª posição entre os 27 membros da União Europeia. Toda aquela conversa de “crescermos acima da média europeia” fica deitada por terra. E isso é mesmo uma má notícia colocando-nos atrás também da Polónia, da Estónia, da Croácia e da Roménia.
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