
Rui precisa da ajuda de todos e com urgência
O objetivo é conseguir 39.900 euros, mas os resultados não são, para já, promissores. «A campanha ainda não atingiu praticamente nada», reconhece Rui Bernardino com algum desalento, mas simultaneamente confiante que é importante divulgar a mensagem, chegar às pessoas e tocar-lhe o coração. É de solidariedade que se fala, de ajudar o próximo a viver com qualidade e não se entregar à doença. Foi isso que o protagonista desta campanha fez toda a sua vida. Hoje precisa de ajuda para adquirir uma carrinha adaptada que o possa transportar, a si e à sua cadeira de rodas, para continuar a trabalhar, a participar em torneios de xadrez, a ter momentos de lazer com a família e com os amigos e também a deslocar-se à Igreja, porque é um homem de fé.
Rui Bernardino sofre de Ataxia de Friedreich, uma doença rara, genética, que afetou outros elementos da família, originária de Lagares da Beira, concelho de Oliveira do Hospital. Uma doença que transformou a criança traquina e o jovem aventureiro num adulto com severos problemas de mobilidade. Mas isso não o impediu de concluir uma licenciatura em Gestão de Empresas, no ISCAC, em Coimbra, de casar e ter uma filha, atualmente com 13 anos, e de trabalhar no PLANAPP – Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas, um organismo do Estado, localizado em Lisboa, que traça as diretrizes que orientam as políticas públicas, visando uma sociedade melhor, mais coesa e sustentável, que responda às necessidades das comunidades e dos cidadãos.
Rui não se rendeu à doença, mas a doença também não parou. Hoje, com 48 anos, a residir em Coimbra, vive um momento de desassossego. «Atualmente a minha mobilidade está muito condicionada, só consigo andar na cadeira de rodas elétrica», afirma. Daí a necessidade de uma carrinha adaptada, capaz de assegurar a sua deslocação, desde logo a Lisboa, ao organismo onde trabalha, aos torneios de xadrez onde deixou de participar precisamente por dificuldades de deslocação. «Não tenho como ir», faz notar. Ou simplesmente para se deslocar à Igreja ou passear com a família e estar com os amigos, garantindo qualidade à vida e dignidade à existência.
«Não procuro apenas um veículo, procuro continuar a viver com qualidade, fé, autonomia e determinação, recusando entregar-me à doença», afirma o gestor. «É urgente!», sublinha. «A carrinha vai ajudar-me a combater a doença, a ligar-me à vida», diz ainda. Aliás, foi isso que Rui Bernardino sempre fez e quer continuar a fazer. Todavia, nesta fase, a sua independência, a vida pessoal e profissional não dependem unicamente da sua vontade. Por isso ponderou pedir ajuda, contar com a boa vontade de terceiros para levar avante este projeto de crowdfunding. «Não quero prejudicar ninguém», faz notar, pedindo um pequeno contributo de cada um, que possa ser multiplicado por muitos e perfazer os 39.900 euros de que necessita. Uma caminhada – https://ppl.pt/RuiBernardino - que começou em maio e termina no dia 7 do próximo mês de julho. Faltam pouco mais de 20 dias para multiplicar os gestos solidários e atingir a meta. Rui Bernardino acredita que isso vai acontecer.











