
Acidentes com metrobus em Coimbra não se deveram a falha do sistema
Nenhum dos acidentes com veículos metrobus registados desde o início da operação comercial foi por falha do sistema, afirmou o presidente da Metro Mondego, que, mesmo assim, irá aplicar algumas mudanças para procurar reduzir a ocorrência de sinistros.
De acordo com Leonel Serra, que está no cargo há cerca de dois meses, o Sistema de Mobilidade do Mondego registou, entre janeiro e maio, cinco acidentes rodoviários e um atropelamento, sem que algum dos incidentes registados tenha sido por falha do sistema montado.
«O sistema nunca falhou. Nós analisamos sempre e não há um acidente em que o sistema tenha falhado», disse à agência Lusa o responsável, afirmando que também não houve qualquer sinal vermelho ignorado por algum motorista de metrobus (autocarros articulados em via dedicada) em algum dos acidentes registados.
«Tudo é analisado e todos foram falhas das pessoas», notou.
Apesar disso, Leonel Serra afirmou que a Metro Mondego está sempre a analisar possíveis ajustes na sinalização, nomeadamente tempos mais longos para acionamento do sinal vermelho para carros, semáforos repetidos na linha de visão dos condutores ou ‘yellow boxes’ (pintura amarela no asfalto) nas zonas de atravessamento com o canal de metrobus.
«Em cada acidente, nós analisamos e vamos reduzir substancialmente, dentro do que é tecnicamente possível, os acidentes», vincou.
Relativamente a invasões de canal por automóveis, Leonel Serra recordou que toda a rede é filmada e que, até ao momento, não tinha sido feita qualquer participação à polícia, o que irá começar «a partir de agora», quer com a PSP em Coimbra, quer com a GNR na Lousã e em Miranda do Corvo, para autuar esse tipo de comportamento.
Também a fiscalização das validações no sistema arrancou a 23 de maio, depois de as equipas contratadas para o efeito terem já sido juramentadas pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).
«Vai levar muita gente, distraída ou por negligência, que não validava a passar a validar. Estou convencido que as validações vão aumentar também por essa via», notou.
Até meados de junho, o início da fiscalização terá uma atuação pedagógica, em que qualquer pessoa que viaje sem título será «convidada, na estação seguinte, a validar» o bilhete. Posteriormente, será feito «o que está previsto na lei, que é aplicar coimas», disse.
Compra de mais cinco autocarros
A Metro Mondego quer acionar a opção de compra de mais cinco autocarros prevista no contrato, face ao aumento de procura acima das estimativas quando o sistema ainda não está em pleno, afirmou ainda o presidente da entidade.
«Perante este crescimento, havia uma opção de compra de mais cinco veículos [além dos 35 já adquiridos] e nós estamos já a trabalhar com a tutela, porque temos de fazer essa compra até agosto, para exercer a opção de compra», disse Leonel Serra.
A opção de compra surge depois de o metrobus já ter registado um milhão de validações nos primeiros quatro meses de operação comercial, num momento em que a rede, que serve Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo, ainda não está completa na zona urbana da capital de distrito.
Segundo Leonel Serra, entre janeiro e 26 de maio, o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) registava uma procura 29% acima das estimativas para o troço em questão (que vai, de momento, até à Portagem), sendo que só em maio registaram-se validações 86% superiores acima daquilo que os estudos projetavam.
«Os números confirmam claramente que vai estar acima da procura [prevista] e, se está assim ao fim de cinco meses, quando isto estiver estabilizado ao fim de um ano ou dois, estou convencido que há de ser mais de 50% dos estudos de procura», vincou Leonel Serra.
O avanço para a opção de compra de mais cinco autocarros surge não apenas pelos números que a operação do metrobus tem registado, mas também pela importância de assegurar mais viaturas da mesma marca e série, que facilitam manutenção, formação de motoristas e compra de peças.











