
Homenagem aos pescadores juntou multidão na Praia de Mira
Largas centenas de pessoas, alguns milhares, viveram ontem o dia principal da Festa do Pescador na Praia de Mira, com uma «icónica» procissão na Barrinha, seguida de missa campal. Os barcos transportaram andores e a fé de uma povoação que, como quase todas as ligadas ao mar, vive uma profunda devoção religiosa, no caso a Nossa Senhora da Conceição, em particular.
Recuperada pela atual Junta de Freguesia, no entendimento do que é a identidade cultural do povo, a festa sublinhou a importância da pesca, muito «ligada ao desenvolvimento da comunidade» da Praia de Mira, observou Pedro Morins Leigo. «Os nossos antepassados sacrificaram-se» para que a «juventude de hoje quase não esteja ligada à pesca», que «não sendo vergonha nenhuma é uma vida de sacrifício, muito liga à pobreza», acrescentou o presidente da Junta, com o autarca a vincar a importância da preservação dos valores dos antigos e de tudo o que está à associado.

Se durante a campanha eleitoral a ideia transmitida era de organização de um «arraial tradicional», para «respeitar o espaço de quem tinha feito antes» a Festa do Pescador, as conversações resultaram na programação em quatro vertentes: “espiritualidade e tradição”, desporto e identidade”, “gastronomia” (em que entrou a tradicional sardinha), e “animação musical”.
«Recuperar a Festa do Pescador é mais do que organizar um evento, é devolver à comunidade um pedaço da sua alma e homenagear aqueles que fazem do mar a sua vida», anunciou a organização, composta pela Junta de Freguesia, Comissão de Melhoramentos, Centro Cultural e Recreativo e Associação de Pesca Desportiva da Praia de Mira, com apoio da Câmara de Mira.
Iniciada sexta-feira, a festa teve ontem o ponto alto, com concentração de barcos e andores, junto à Ilha dos Namorados, seguindo em procissão até ao Largo da Barrinha, com acompanhamento pela União de Músicos de Mira. Após missa, houve nova procissão, de regresso à capelinha, pela Avenida Infante D. Henrique.
Luís Lemos, da Comissão de Melhoramentos, lembra-se das anteriores Festas dos Pescadores, normalmente em agosto, para aproveitar a presença dos muitos emigrantes que a terra tem na Suíça, Canadá, Estados Unidos da América ou Luxemburgo, entre outros países. Só que em época alta não tinha igual impacto, e a organização «decidiu que será no último fim de semana de maio», quando pode encerrar estradas, explicou Luís Lemos.
E agora é para continuar, assegurou, secundado mais tarde por Pedro Morins Leigo, com o autarca a garantir que «é um compromisso» da Junta de Freguesia.
João Cruz, também da organização, destacou igualmente a homenagem aos pescadores de arte xávega, os antigos e os que ainda fazem algumas campanhas. É o recuperar de uma tradição numa terra que tem a maior das festas em dezembro, em honra de Nossa Senhora da Conceição, que atraem milhares de pessoas. No entretanto, e já em vésperas de verão, vai viver, a 13 de junho, as marchas populares, com sete grupos.
Depois, de 3 a 5 de julho, acolhe a primeira etapa do Campeonato Europeu de Aquabike 2026.











