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“Antiga Central” deu lugar na Baixa ao “novo e luxuoso” Café Nicola

Foi um acontecimento social de destaque, a 5 de novembro de 1938, a inauguração do estabelecimento da firma Abelha & Moura no n.º 35 da Rua Ferreira Borges

Quase a completar no­ve décadas de existência, o Nicola, um dos mais emblemáticos cafés da Baixa de Coimbra, que a Câmara Municipal reconheceu há dois anos como “Estabelecimento de Interesse Histórico e Cultural ou Social Local”, foi inaugurado a 5 de novembro de 1938 com “pompa e circunstância”, registando este jornal o evento como «um luminoso marco de progresso na Rua Ferreira Borges».

Num edifício que antes fora ocupado pela Pastelaria Central, nascia um «novo e luxuoso estabelecimento», que anunciava aos seus clientes serviços de café, restaurante e bilhares, além de um salão de festas com «completa organização de banquetes, portos d'honra, soirées e lunches».

«Café Nicola é a designação sugestiva do conhecido café de Lisboa. Café Nicola é também a denominação do novo café que acaba de se inaugurar e, hoje, abre ao público na Rua Ferreira Borges, no local onde, durante anos, esteve o café-restaurante, da Pastelaria Central, que tinha tradições. Por isso, naquele espaço era preciso fazer mais e melhor. Foi o que fez a firma Abelha & Moura, Limitada, deitando tudo abai­xo e fazendo, ali, o novo Café Nicola», assinalou o Diário de Coimbra na edição de 6 de novembro.

A inauguração foi um acontecimento social com representantes das mais relevantes instituições da cidade, num “porto de honra”, iniciado às 21h00, «oferecido a convidados rigorosamente selecionados e à imprensa».
«Aos brindes falaram em primeiro lugar o presidente do Município, dr. Ferrand de Almeida, depois e seguidamente os srs. dr. Sanches de Morais, pela Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra, dr. Vergílio Correia, diretor do Diário de Coimbra, Conde de Fijô, estudante António Alberto Monteiro pelos organismos desportivos académicos, Galvão Teles, pela Brasileira, Vilaça da Fonseca, Hernâni Marques, Raposo Marques pela Tuna Académica e demais organismos académicos, e por último, o governador civil, sr. capitão Calado Branco, tendo todos exaltado o esforço da firma Abelha & Moura, Limitada, dotando Coimbra com um estabelecimento que não teme confronto com os melhores do país», anotou o repórter deste jornal.

Com projeto de Agostinho da Fonseca, «arquiteto com o nome ligado às obras mais notáveis que nos últimos tempos se têm realizado em Coimbra», o prédio com o n.º 35 da Rua Ferreira Borges foi completamente renovado.

«Não houve remodelações. O que ontem vimos é tudo feito de novo, com esmero de montagem, primor de arte e requinte de bom gosto. A instalação, a obra decorativa, o sistema de iluminação, o aparelhamento – as grandes coisas e as mais leves minúcias, os fatores de riqueza e de luxo, os pormenores de embelezamento – tudo, ao mesmo tempo, é sóbrio e exato. Não poderá tomar-se à conta de lisonja a afirmação de que Abelha & Moura, Limitada acabam de dotar a cidade de Coimbra com uma casa, no género, à altura dos foros de cidade civilizada. Numa orientação audaciosa, traçando um plano pessoal, os ativos comerciantes não se pouparam nem a esforços, nem a capitais, para transformar, numa realidade irrefutável, o seu sonho de modernização da velha “Central”. Empresas industriais de boa reputação, arquiteto, mestre de obras, artistas de talento, operários experimentados e dedicados, etc., todos trabalharam para se conseguir a obra louvável e bela que é, inegavelmente, o Café Nicola. Todos se devem sentir satisfeitos, principalmente Francisco Abelha, o ativo gerente do novo café-restaurante, o melhor de Coimbra», completava o jornal.

 

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Anúncio publicado no Diário de Coimbra de 5 de novembro de 1938, no dia da inauguração do Café Nicola

 

(Pode ler hoje esta e outras histórias e curiosidades na edição impressa do Diário de Coimbra. No nosso site estão também disponíveis mais de três centenas de páginas de memórias dos primeiros anos do jornal)

 

Maio 3, 2026 . 08:30

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