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Montemor exige “soluções” para evitar novas catástrofes

O nível das águas desceu, mas ainda não é possível contabilizar prejuízos. Município agradece o empenho de todos nestes 22 dias de “emergência” e reclama medidas para o futuro.

«Nunca houve um mínimo de manutenção» dos diques. A afirmação é de José Veríssimo, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o–Velho, ontem na conferência de imprensa para apresentar o “balanço das cheias 2026” e agradecer o envolvimento de todas as entidades nestes 22 dias de «emergência», «dolorosos e angustiantes».

Um balanço centrado nas ocorrências e nas intervenções articuladas dos meios de socorro, que peca por omissão relativamente aos prejuízos, que, esclareceu o autarca, ainda não foi possível efetuar, pois as «cheias passaram, mas a água ficou» e nem se sabe quando será possível entrar nos campos do Mondego.

Certa, para já, é a urgência de uma intervenção, a tomada de medidas capazes de evitar novas catástrofes e mais 22 dias dramáticos para as populações, para as empresas, para a agricultura, para as infraestruturas. As alterações climáticas estão aí, «os problemas podem voltar a acontecer». «Se não se fizer nada, daqui a um ano estamos noutro inverno e na mesma situação», avisou, prometendo tudo fazer, enquanto presidente da Câmara, para que a situação seja resolvida com celeridade.

Um desafio direto à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e ao Governo, com a cooperação das autarquias. «Não apontamos culpados, procuramos soluções», disse José Veríssimo, que lembrou que o projeto hidroagrícola do Vale do Mondego «tem 50 anos», foi feito com base em estudos realizados 25 anos antes e, além de «inacabado», a montante e a jusante, nunca teve «um mínimo de manutenção». «Os diques têm 40 anos» e «nunca tiveram manutenção», reforçou, defendendo a necessidade de «um mínimo de manutenção». «Hoje há soluções mais eficazes e baratas», disse ainda, referindo-se às bombas da estação de Foja, duas, das seis projetadas, cuja funcionalidade deixou a desejar .

Cheias Em Montemor

O «reforço e manutenção dos diques» para garantir «segurança à obra» são uma exigência, disse o autarca, que assumiu que o Governo está “sensibilizado” para a situação, particularmente a ministra do Ambiente, e o ministro da Agricultura desloca-se amanhã à região. Todavia, José Veríssimo admitiu que até ao momento «não há nada escrito». «Não descanso enquanto não tiver tudo escrito», prometeu.
O edil referiu um documento, entregue pelos municípios, na semana passada à APA, uma espécie de “caderno de encargos” a assumir, de forma partilhada entre as autarquias do Baixo Mondego e a entidade. A Câmara de Montemor «assume as vias e as pontes», explicou, recordando a ponte militar, instalada depois das cheias de 2019, cujo “arrendamento” o município tem assegurado, sob pena de a ligação entre as margens do Mondego deixar de ser assegurada. «A Câmara assume fazer obras nas vias de comunicação e nas três pontes», esclareceu, adiantando que «tudo o que é obra de infraestruturas terá que ser assumido pelo APA». Todavia, a entidade ainda não deu resposta e solicitou «15 dias para fazer um estudo». Um “pacote” que deverá incluir, entre muitas outras medidas, a solução para o canal de rega.
Com uma larga experiência de cheias, o autarca reconhece que o Baixo Mondego se tem vindo a tentar «adaptar» às novas circunstâncias, mas essas circunstancias, cada vez com maior dimensão e acutilância, exigem que «estas obras sejam revistas» e reclamam uma «intervenção urgente em todo o Vale». «O Governo tem essa responsabilidade», disse ainda o presidente da Câmara.|

Novo sistema de governança para o futuro

Questionado relativamente à gestão futura da obra do Baixo Mondego, José Veríssimo entende que, «para já, tem que ser a APA a gerir», pois «há medidas que têm de ser tomadas pela APA. Todavia, para o futuro, não enjeita outro tipo de “tutela”, como acontece em várias situações no país. «Faz sentido uma governança de outras entidades, desde que acompanhada pelo necessário envelope financeiro», admitiu, com a APA com o papel de «entidade fiscalizadora».|

Fevereiro 24, 2026 . 08:03

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