
Góis vai às aldeias mais isoladas levar informação ou simplesmente conversa
Durante meses, técnicos do município e responsáveis de várias instituições do concelho - da GNR ao Centro de Saúde e Bombeiros de Góis - deslocaram-se aos locais mais distantes da sede de concelho.
Locais onde «não há nada, nem um café», como frisa o técnico Miguel Mourão, ao falar do projeto “Aproximar”, que chegou ao fim de mais uma temporada no Município de Góis.
Faltam, por isso, formas de combater o isolamento social a que estão votadas tantas pessoas, sobretudo seniores. Escasseiam formas de convívio, de envelhecimento ativo. Faltam, tantas vezes, apenas oportunidades para conversar.
Tudo isto e muito mais que o projeto “Aproximar” tem procurado combater, incentivando a participação comunitária, levando às aldeias aquilo que as aldeias não conseguem ir buscar à sede de concelho.
«Levamos informação», começa por definir Miguel Mourão, um dos técnicos da autarquia que, semanalmente, se desloca às aldeias eleitas para este projeto, explicando que o que tantas vezes parece informação básica obtida muito facilmente, é extremamente difícil de chegar a locais mais isolados.
Diz, a propósito, que nestas “andanças” do projeto conheceu uma habitante do concelho que nunca tinha entrado no edifício da Câmara Municipal de Góis, uma experiência que acabou por viver num passeio a Góis realizado no âmbito do “Aproximar”.
O Gabinete Técnico Florestal é uma “parte” deste projeto levado às aldeias, informando, entre outras coisas, quando e como se podem fazer queimas e queimadas.
Regras que, de outra forma, não chegam a alguns destinatários. «É levar a Câmara Municipal e outras entidades até às aldeias», conta o técnico.
Mas o “Aproximar” não se faz apenas de informação. Faz-se de convívio que se estabelece na roda de conversa entre os moradores, ou de atividade física e de lazer que é proporcionada a todos os participantes.
«Levamos momentos agradáveis, ocupando os tempo das pessoas», diz o técnico, destacando que, neste processo, é nas sedes de melhoramento ou outros espaços possíveis, que se têm vindo a desenvolver as atividades.
O projeto “Aproximar” começou, numa primeira fase, nas aldeias de Malhada e Carvalhal do Sapo, ambas na União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, e estendeu-se depois às aldeias de Fonte Limpa e Milreu, na freguesia de Alvares, a mais distante da sede de concelho.
Todas as semanas a equipa do projeto se fazia à estrada: nas tardes de quarta-feira em Malhada e Carvalhal do Sapo, e nas tardes de sexta-feira em Fonte Limpa e Milreu. «As pessoas já nos aguardavam com expectativa», garante Miguel Mourão.
Numa região de baixa densidade populacional e população envelhecida, nunca seriam muitos os participantes, porque não os há, mas nunca foi objetivo que as salas estivessem cheias.
«O número de utentes nunca foi importante», garante o técnico, assegurando que o que verdadeiramente importa é proporcionar bons momentos aos que estão.
«São aldeias onde não há rigorosamente nada», frisa, insistindo na ideia de que o que verdadeiramente conta para quem desenvolve o projeto é que as pessoas «tenham atividade» e se criem dinâmicas orientadas para o bem-estar coletivo destas pequenas comunidades.|
Para muitos é “o dia mais esperado da semana”
O projeto “Aproximar” já valeu uma bandeira de mérito social ao Município de Góis e, depois desta paragem de verão, o regresso está agendado para o mês de setembro.
«É uma prática que pretendemos que continue», garante o presidente da Câmara de Góis, Rui Sampaio, revelando que a ideia é ir alargando o projeto a outras aldeias, mediante a disponibilidade de recursos humanos do município.
Nesta altura, informa, já estão sinalizadas duas aldeias que poderão vir a integrar a iniciativa.
O autarca garante que o feedback dos participantes é «muito positivo».
«Tive a oportunidade de participar num almoço convívio em Carvalhal do Sapo, tive contacto direto com os participantes e percebi que o projeto é uma mais-valia para aquilo que é a sua vida diária», diz Rui Sampaio.
«Percebemos a pertinência do projeto, a satisfação das pessoas pelo facto de se juntarem semanalmente. Para muitos é o dia mais esperado da semana», garante o autarca, enquadrando a importância de uma iniciativa que é desenvolvida num concelho com «características muito próprias»: «o envelhecimento é acentuado, temos 1.400 pessoas com mais de 65 anos».











