
Latada quer-se “digna” e sem ser “parente pobre” de ninguém
Foi “atirada” a primeira pedra do que pode vir a ser uma Festa das Latas e Imposição de Insígnias com uma “cara nova”. Após «anos e anos de megalomania», a edição de 2026, que ainda não tem datas oficiais, deseja cimentar os alicerces de «uma festa com futuro» e preparada para receber os novos estudantes - principalmente no final de um verão «difícil» em termos escolares.
A tomada de posse da nova Comissão Organizadora para a Latada (COFL) mostrou, ontem, que esta está pronta para garantir diálogo interno para que, neste ano, não existam surpresas. «É importante ter sentido de responsabilidade para organizar uma festa que é um momento marcante» e repleto de «tradição académica», admitiu a nova coordenadora-geral, Matilde Vaz.
Em causa está a possibilidade de desenvolver um novo modelo para a festa, que pode até vir a diminuir o número de dias de comemoração. «Queremos ter a tradição no centro e construir tudo em conselho, com todos os órgãos [a comunicar]», identificou a responsável. Para tal foi convocado um “conselho”, que inclui o Magno Conselho de Veteranos (MCV), as estruturas culturais da casa, a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e COFL, de modo a garantir que todos os lados são ouvidos, os problemas identificados e corrigidos, e que, de ano para ano, a festa «efetivamente melhora».
«Teremos os artistas nacionais e regionais como foco principal», admitiu Matilde Vaz, refletindo também que «o recinto vai ser estudado», de modo a garantir um maior aproveitamento e melhor qualidade.
"É importante ter sentido de responsabilidade para organizar uma festa que é um momento marcante"
No cerne da questão estão os últimos anos que «desiludiram». «É preciso adotar uma posição e perceber as dificuldades é o primeiro passo. Temos de dar provas de que somos uma instituição séria, competente», o que motiva repensar «através de dois eixos»: analisar e preservar a identidade.
Naquilo que denominou uma tomada de posse «que transcende o protocolo», José Machado, presidente da DG/AAC, sublinhou a necessidade de «virar a página da Latada». «Nos últimos anos tem-se tentado sucessivamente mudar a Festa das Latas, mas não se tem conseguido».
Sem deixar passar o momento, valorizou a decisão de se criar um conselho de apoio, destacando que «é preciso o apoio de todos» para dar a volta à situação. «Para repensar a Latada temos de começar por fazer dela um modelo mais sustentável a todos os níveis», deste modo estando mesmo em cima da mesa a «diminuição de dias de festa», para garantir que a oferta da tradição e da diversão têm ambas destaque, relevo e qualidade.
Caminho é longo, mas faz-se caminhando
Antes do término da sessão, José Machado relembrou a diminuição da dívida da AAC de 1 milhão de euros, para cerca de 600 mil euros. «É um passo na direção certa, apesar de ainda não ser todo. Garantir que a Latada não é uma festa de megalomanias é avançar para um futuro mais sustentável, tanto para a festa, como para a academia», rematou o presidente.
Nova coordenadora-geral admite que “ainda é cedo” para começar a mostrar os planos, mas tudo vai ser analisado
«Temos um esboço, sim, mas no que toca a propostas concretas ainda não temos pormenores. Lá está, vai sempre passar tudo pelo nosso “órgão consultivo”. Em termos dos dias da festa, não vou tomar essa decisão sozinha e ainda não estruturei uma ideia concreta que possa ser aproveitada», indicou Matilde Vaz, coordenadora-geral da Festa das Latas e Imposição de Insígnias.
No que toca à «mudança de cara», Matilde alerta que é uma questão de um «novo modelo». «Vamos pensar e reestruturar a festa [para que seja] tudo aquilo que faz sentido para as condições da casa e para aquilo que os estudantes pretendem. Há, certamente, pormenores que vão ser alterados e daí a expressão “alterar o modelo”».
Em relação a orçamentos disponíveis, ainda não existem dados concretos, mas o objetivo será sempre reduzir custos sem “estragar”.

Manifestação na sexta-feira vai ter a DG/AAC
Marcada para sexta-feira, pelas 18h00, em Lisboa (à frente do Ministério da Educação, Ciência e Inovação), a mobilização «contra o caos nos exames nacionais» vai ter o apoio da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC).
«Estaremos presentes, não só em solidariedade para com os alunos do secundário que sofreram, e sofrem, com este processo moroso, mas também com uma agenda mais pessoal», contou ao Diário de Coimbra o presidente da DG/AAC, José Machado.
«Não é possível perceber como é que um professor que esteve até agora a corrigir os exames da primeira fase consegue corrigir as reapreciações, os exames da segunda fase e as suas reapreciações, preparar um terceiro exame de época especial e, ainda, preparar um ano letivo», identificou. Para além desta dificuldade encontrada, alertou para os jovens com um «futuro quase hipotecado», em que ainda esperam notas que podem ou não estar erradas.
«O ministro [Fernando Alexandre] não tem condições para continuar com a pasta e vamos com o objetivo de mostrar essa realidade. Falou-se muito numa “tranquilidade” que se apelidou em “tranquilidade a dormir” porque este processo de correção de exames foi tudo menos tranquilo. Tem de haver responsabilização», elaborou o presidente da DG/AAC José Machado.










