
Manuel Lemos festejou 102 anos com a “família”
Ontem foi dia de festa no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Condeixa. Um dos seus utentes, o senhor Manuel Lemos, festejou 102 anos e, como já é tradição naquela instituição, o dia não podia passar em branco.
Preparou-se a festa, com a participação ativa de Manuel Lemos que escolheu as duas canções para o momento musical. Maria da Fonte e o Hino de Portugal, duas canções patrióticas, escritas na segunda metade do século XIX e que reportam a momentos de luta dos portugueses. A primeira, uma revolta liderada por uma mulher contra as lutas liberais e o segundo contra o Ultimato Inglês, que Manuel Lemos mostrou conhecer bem, apesar de apenas ter feito a 3.ª classe, ainda menino. Já mais tarde, porque trabalhava nos SMTUC, teve de completar a 4.ª classe, já com 30 anos, como contou ao Diário de Coimbra, o genro, José Temido, também presente na festa, juntamente com a esposa, a única filha de Manuel Lemos, Maria Celeste.
Depois do momento musical, seguiu-se a leitura de um poema, o cantar dos parabéns e o corte do bolo, sempre com Manuel Lemos, muito atento, apesar da sua surdez. E por gestos foi percebendo as felecitações, a quem foi agradecendo sempre com um sorriso.
Mas foi pela voz do seu bisneto, o Francisco, de 11 anos, que o Diário de Coimbra ficou a conhecer um pouco da história de vida de Manuel Lemos. Não porque o tivesse acompanhado ao longo dos seus mais de 100 anos, como é óbvio, mas porque é o Francisco «o ouvinte preferido» do cidadão centenário, o mais velho da freguesia de Cernache, a sua terra natal. Francisco, que se revelou um grande conversador, confessou que «sai ao bisavô», a quem não tem de pedir para contar histórias. Sempre que almoçam juntos, na casa dos avós ou dos pais, é Manuel Lemos que lhe conta histórias, de quando era guarda-freio nos elétricos de Coimbra e fica deliciado, quando os bisnetos, o Francisco e o João, de 11 e 13 anos, lhe mostram a maquete do elétrico que têm lá em casa.
Quanto a brincadeiras de outros tempos, Francisco confessou que aprendeu com o bisavô, a cantilena infantil, cujo primeiro verso “Estopa, linho, lã”, uma das que ajuda os mais pequenos a aprender de forma divertida. Mas João apressa-se a dizer que são precisas duas pessoas para coordenar a letra com as mãos e o bisavô é «o parceiro ideal»











