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Fiéis da Rainha Santa Isabel “invadem” Santa Cruz para ver imagem da padroeira

Após a Procissão de Penitência, o histórico templo transforma-se num epicentro de fé e profunda veneração popular até amanhã, altura em que a Santa Rainha regressa aos seus “aposentos” no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

É um ambiente verdadeiramente inspirador e emocionante aquele que se vive logo à entrada da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra. Milhares de fiéis e devotos enchem o histórico templo para as tradicionais visitas à imagem da Rainha Santa Isabel, a padroeira da cidade. O templo, que serve temporariamente de casa à imagem após a emocionante Procissão de Penitência, transforma-se num epicentro de fé, silêncio e profunda devoção popular até domingo, altura em que a Santa Rainha recolhe aos seus “aposentos” no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova com a realização da Procissão de Regresso.

Por estes dias as filas para entrada na Igreja de Santa Cruz são grandes, bem como para chegar junto da imagem, situada junto ao altar no seu andor ricamente ornamentado. Muitos devotos depositam rosas aos pés da Santa, evocando o famoso Milagre das Rosas, outros para orar e outros ainda apenas para eternizar o momento através de uma fotografia, tudo sob o olhar atento de voluntários e da Confraria.

«Venho a Santa Cruz todos os anos em que a imagem desce à Baixa. Este ano tem um sabor diferente porque vim agradecer a recuperação da minha filha. Estar aqui frente a frente com a Rainha Santa, no silêncio da igreja, traz uma paz que não sei explicar. É uma onda de gratidão que nos enche o peito», frisou Maria Antónia, de 64 anos.

 

Até para as crianças das escolas locais e ATL, como a reportagem do Diário de Coimbra constatou no local, a visita é também um momento pedagógico. «Viemos ver a imagem e rezar para nos portarmos bem. No fim, recebemos uma rosa e adorámos», partilhou um dos pequenos visitantes na manhã de ontem.

As portas abrem cedo, às 8h00, e a fila estende-se rapidamente pela Praça 8 de Maio. No interior do templo, o habitual ruído turístico dá lugar a um silêncio solene, interrompido apenas pelos passos contidos dos peregrinos.

Os momentos de fé, por estes dias, não são só vividos por adultos, que o diga António Miguel, de 71 anos, que levou o neto Bernardo, de 8 anos, para ver a imagem da Rainha Santa, mantendo, assim, uma tradição enraizada na família. «Lembro-me de vir com o meu avô ver a Rainha Santa e, hoje, sou eu que trago o meu neto. Está impressionado com a imponência do altar de da Igreja Santa Cruz», salientou.

«Estar aqui transmite uma paz inexplicável», sublinhou Beatriz Fernandes, estudante universitária. «Sou de Bragança e estudo na Universidade de Coimbra. Nunca tinha assistido às festas. É impressionante ver como a figura histórica da Rainha Santa ainda move tantas pessoas e como a Igreja se transforma nestes dias. O ambiente lá dentro mistura fé, história e cultura de uma forma única», reagiu

Julho 11, 2026 . 08:30

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