
Pétalas, emoção e aplausos em honra da rainha das rainhas
Há 26 anos, Lara, residente na Figueira da Foz, era uma adolescente com quase 15 anos que acabara de sofrer um derrame cerebral. Nessa altura, acompanhada da tia, participou, pela primeira vez, na procissão em honra da Rainha Santa Isabel e fê-lo vestida da padroeira de Coimbra. Ontem, voltou para agradecer, na companhia da mesma tia, porque, finalmente, está «curada».
«Apeteceu-me vir, porque fechou-se um ciclo de 26 anos. Fiquei curada e vim», contou ao Diário de Coimbra, no dia em que a Procissão de Penitência voltou a reunir milhares de pessoas em torno da devoção pela rainha dos pobres.

Por promessa, por agradecimento ou, simplesmente, por admiração e devoção, pessoas de todas as idades saíram à rua para saudar e venerar a imagem da padroeira, que estará na Igreja de Santa Cruz até domingo, dia em que regressa à Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
Se Lara, de 41 anos, tem uma história de vida que ficará para sempre ligada à padroeira de Coimbra, a sua homónima, a pequenita Lara, de apenas 5 anos, e que percorreu o percurso da procissão vestida de Rainha Santa, está a iniciar uma ligação que deverá também permanecer até ser crescida. É que, como contou a avó, é ela quem faz questão de acompanhar os adultos, com a particularidade de brindar quem a rodeia com uma boa disposição e energia contagiantes.
Há quem suba e desça a calçada de Santa Isabel de costas e descalço, há quem não contenha as lágrimas assim que o olhar alcança a imagem da Isabel de Aragão no andor de quase uma tonelada, há os que fazem questão de lhe lançar pétalas de rosa ou aplaudir e há quem, simplesmente, observe com admiração e agradeça.
É o caso de Graça Maria, de 77 anos, que, em criança, participava na procissão vestida de anjo. Cresceu, nunca perdeu a ligação à padroeira e até a transmitiu à filha e à neta, que, ontem, não estiveram presentes, mas que domingo, lá estarão na Procissão do Regresso.
Na companhia do marido, das irmãs e da afilhada, Maria de Lurdes Domingues também faz questão de participar na procissão, sempre que possível. Sem promessas, mas para agradecer, sublinha.
Já Rosa Maria fez uma promessa o ano passado e, ontem, lá estava a cumpri-la, envergando o fato da Rainha Peregrina e com um cesto cheio de pão e rosas, numa alusão ao célebre milagre.
«Andava com muitas dores e acredito que por intercessão da Rainha Santa junto de Deus e da Virgem Maria não voltei a ter essas dores», contou ao Diário de Coimbra, confessando que, apesar de pertencer à Confraria da Rainha Santa Isabel, sempre pensou que «nunca seria capaz» de vestir um dos fatos que representam a padroeira de Coimbra.
Numa devoção de família, também Clara Dinis não faltou à procissão e a acompanhá-la não podia faltar a neta Clara, de 9 anos, vestida de Rainha Santa.
Frágil por questões de saúde, Helena realizou a procissão com um propósito bem definido: pedir ajuda num momento em que «várias pessoas da família» sofrem de cancro.
São inúmeras as histórias de fé (e de vida) que se cruzam entre o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e a Igreja de Santa Cruz. Em comum, todas têm a admiração pela Rainha Santa Isabel, que, excepcionalmente, saiu à rua três anos consecutivos (em 2025, assinalaram-se 400 anos da canonização da padroeira e os 700 anos da sua peregrinação a Santiago de Compostela).
As cerimónias de ontem tiveram início com a eucaristia, presidida por Manuel Carvalheiro, iniciando-se a procissão logo de seguida. A imagem da padroeira passou o arco do adro do mosteiro já depois das 20h30, perante olhares e aplausos de centenas de pessoas.
A descida da Calçada de Santa Isabel é sempre o maior desafio para 10 homens que transportam o andor com um peso bem próximo de uma tonelada.
Já na Ponte Santa Clara, estudantes do ensino superior estenderam as capas negras, ajoelharam-se e saudaram a Rainha Santa Isabel, que seguiu, depois, em direção à Igreja de Santa Cruz.









