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IPC mais próximo da comunidade depois de cumprido desafio do PRR

O primeiro ano de mandato de Cândida Malça foi “exigente”, com a execução do PRR a absorver grande parte da energia da sua equipa. Próximo ano será para responder mais e melhor à cidade e região. Destaca projeto de novo edifício no Polo I da ESEC para atividades letivas e servir a comunidade

Tomou posse há um ano como presidente do IPC. Que marca já deixa a sua gestão no IPC?
Foi um ano tremendo, particularmente exigente do ponto de vista da reorganização de serviços, em que tivemos que tomar decisões difíceis. Tínhamos um PRR para executar e com tempos muito exigentes e limitados. Prova disso é o que aconteceu, por exemplo, no espaço U, na nossa residência onde vamos alojar 400 novos alunos, além de termos terminado a requalificação da R1, da R2 e da R3, e a residência de Oliveira do Hospital. Estes projetos exigiram que os serviços tivessem uma dedicação muito perto dos 100% para que a 31 de agosto, a obra esteja em condições de ser entregue. Basta fazermos um exercício de espaço temporal e percebermos que, embora tivéssemos assistido à inauguração do espaço U em junho, o que é certo é que o projeto entrou nos serviços a 11 de agosto e foi aprovado em reunião de câmara a 21 de setembro. Portanto, faz praticamente um ano que o projeto entrou nesta casa para ser analisado e estamos a contar cumprir os prazos do ponto de vista da execução do PRR.

Assumiu que a execução do PRR seria a sua prioridade imediata. Foi também o maior desafio...
Os compromissos estavam assumidos. Desenvolvemos os esforços necessários para honrarmos e concretizarmos o que tinha sido assumido na anterior presidência.

Estamos a falar de milhões de euros. Que projetos mais a preocuparam e quais estão mais avançados?
A execução do PRR preocupava-me imenso. Encontrámos uma execução do PRR, não apenas no edificado, com uma taxa de execução baixa. Não queria arriscar no número, mas teremos uma aprovação muito perto dos 100% nas diferentes vertentes do PRR. Ao fim de um ano, apesar da preocupação, o balanço é muito positivo.

Fora do PRR. Que outras obras destacaria?
Tivemos a preocupação de requalificar a zona à volta dos serviços centrais, projetada para servir a sociedade e a comunidade. O Chalé do Bispo vai funcionar como um Centro de Inovação Pedagógica. Está no sítio ideal para proporcionar todas as condições para a inovação pedagógica. A ideia é transformar outros dois edifícios belíssimos do ponto de vista do património - a Vinagreira e a Adega - em Centros Culturais. Também a sideraria e o hangar compõem a ala cultural do IPC

Encontrámos uma execução do PRR, não apenas no edificado, com uma taxa de execução baixa

O IPC é composto por várias unidades. Alguma lhe causa maior preocupação, nomeadamente no que respeita a património e obras?
Sim. A ESEC tem falta de espaço físico para lecionação. É uma escola que ronda aos 3 mil alunos e que não tem espaço físico para alojar os períodos letivos. Tem um assunto pendente e, apesar das alternativas apresentadas à escola, esta ainda não optou. Estou a referir-me ao Polo II. Era meu objetivo que o próximo ano letivo não arrancasse no Polo II, mas, entretanto, várias vicissitudes, nomeadamente a alteração da presidência da escola, fizeram com que ainda não houvesse espaço útil para que a nova presidência pensasse em situações viáveis para o Polo II. No entanto, gostávamos muito de fazer um edifício completamente disruptivo naquele parque da ESEC. Se repararem são três torres, falta a quarta torre...

Pretende manter a ESEC no Polo I, construindo um novo edifício?
Sim. Um novo edifício mas com algumas particularidades. Desde logo a de ser um edifício para servir a escola, colmatando a falha do espaço letivo. Mas também um edifício virado para a sociedade. A ESEC tem particularidades que a tornam muito especial e falo fundamentalmente da produção do ponto de vista de cultura, de arte... Isso não pode ficar entre portas. Tem que sair e tem que estar disponível à sociedade. Queremos que seja uma porta para dentro e outra para fora num um edifício, do ponto de vista edificado, com características resilientes do ponto de vista da soberania energética e de abrigo em situações de calamidade. Seria um ponto de abrigo em situações de calamidade, multifuncional, com uma residência. Do ponto de vista de arquitetura completamente disruptivo, e que servisse a comunidade, com arte e espetáculo de portas abertas. Em situações extremas, que servisse de abrigo, uma vez que estamos a falar de uma localização absolutamente central na cidade de Coimbra.

Apresentou uma equipa completamente nova. Quais são as principais preocupações na escolha desta equipa?
Quis fundamentalmente ter uma proximidade maior à comunidade. Este ano, para fazermos o plano de atividades de 2026, fizemos uma auscultação a todas as unidades orgânicas. Era o nosso propósito termos aqui também uma interação mais participada da comunidade. Quisemos ter uma gestão mais transparente para termos uma comunidade informada. Sempre que temos reuniões do Conselho de Gestão, do Senado ou dos órgãos de gestão, a comunidade tem acesso às atas para que saiba o que é decidido, o que para nós é muito importante.

Assumiu um modelo de gestão completamente diferente do seu antecessor. Que IPC encontrou, nomeadamente a nível financeiro? Encontrou alguma surpresa ao longo deste ano?
Não me parece que a crítica resolva o que quer que seja, nem que seja tão pouco construtiva. Não me interessa dizer o que é que encontrei. A comunidade sabe as decisões que foram tomadas anteriormente, e isso acho que é importante que fique registado. Agora, se fez bem, se fez mal... Já está. As decisões estão tomadas. Recebemos uma herança e também o seu passivo e seu o ativo. Portanto, não vale a pena dizer que não queremos a herança. Mas sim, foram tomadas decisões, fundamentalmente no que respeita às reposições remuneratórias, que comprometeram a evolução da instituição durante, não queria ser pessimista, e dizer duas décadas, mas pelo menos na próxima década. Tivemos um incremento brutal de recursos humanos. Somos o único politécnico que assumiu a totalidade das reposições remuneratórias e isso deixou-nos sem financiamento para outros investimentos. Vamos ter que ser criativos. Não é uma coisa que se possa mudar. É reinventarmos a capacidade que temos dentro de equipa e ir atrás de outras linhas de financiamento para colmatarmos essa falha orçamental.

Sempre que temos reuniões do Conselho de Gestão, do Senado ou dos órgãos de gestão, a comunidade tem acesso às atas para que saiba o que é decidido

Traçou vários pilares para o seu mandato. Tendo em conta o cenário que encontrou, quais foram as prioridades?
Os nossos serviços focaram-se em dar resposta àquilo que eram as necessidades que tivemos forçosamente que priorizar, por causa dos prazos. Pese embora tivéssemos continuado a ter ações junto da comunidade, não o fizemos nem da forma, nem com a intensidade a que nos propusemos. Volvido este ano de reorganização interna, de loucura do ponto de vista de cumprimento de prazos e a preocupação primária ser a execução do PRR, o próximo ano vai ser dedicado à missão de respondermos mais e melhor e estarmos, claramente, mais próximos dos nossos parceiros, da sociedade. Depois de organizados, de darmos resposta aos nossos desafios prementes, teremos um ano dedicado ao contributo, enquanto missão de ensino superior, às entidades nossas parceiras, fundamentalmente, da cidade e da região. Queremos colaborar mais com empresas, com câmaras municipais, com as entidades civis. Lá está, organizámos a casa, respondemos às prioridades e no próximo ano teremos um plano de atividades mais dedicado à nossa missão.

Estamos a entrar na fase de candidaturas. Quais são as expectativas, no que diz respeito à procura dos jovens?
Estou otimista, até porque teremos mais candidatos ao Concurso Nacional de Acesso. Acho que a ligeira perda que tivemos, este ano vai, claramente, ser colmatada. Estou expectante e otimista. Acho que teremos mais estudantes a ingressar no ensino superior.

Traçou vários pilares para o seu mandato. Tendo em conta o cenário que encontrou, quais foram as prioridades?
Os nossos serviços focaram-se em dar resposta àquilo que eram as necessidades que tivemos forçosamente que priorizar, por causa dos prazos. Pese embora tivéssemos continuado a ter ações junto da comunidade, não o fizemos nem da forma, nem com a intensidade a que nos propusemos. Volvido este ano de reorganização interna, de loucura do ponto de vista de cumprimento de prazos e a preocupação primária ser a execução do PRR, o próximo ano vai ser dedicado à missão de respondermos mais e melhor e estarmos, claramente, mais próximos dos nossos parceiros, da sociedade. Depois de organizados, de darmos resposta aos nossos desafios prementes, teremos um ano dedicado ao contributo, enquanto missão de ensino superior, às entidades nossas parceiras, fundamentalmente, da cidade e da região. Queremos colaborar mais com empresas, com câmaras municipais, com as entidades civis. Lá está, organizámos a casa, respondemos às prioridades e no próximo ano teremos um plano de atividades mais dedicado à nossa missão.

Estamos a entrar na fase de candidaturas. Quais são as expectativas, no que diz respeito à procura dos jovens?
Estou otimista, até porque teremos mais candidatos ao Concurso Nacional de Acesso. Acho que a ligeira perda que tivemos, este ano vai, claramente, ser colmatada. Estou expectante e otimista. Acho que teremos mais estudantes a ingressar no ensino superior.

Que trabalho tem feito o Politécnico de Coimbra para atrair os jovens?
Fundamentalmente, o contato direto. Nada melhor do que trazer os futuros estudantes ao ambiente que os vai acolher. Para eles perceberem, de facto, o que é uma escola agrária, uma escola de finanças, uma escola de engenharia, uma escola de educação. As semanas imersivas são um ótimo exemplo de como captar alunos, transmitir o que se faz, e as portas abertas são, claramente, a melhor forma de chegarmos aos nossos estudantes.

Entrevista Candida Malça 2

Qual o peso dos estudantes internacionais?
A palavra de ordem é internacionalização. Temos que ser instituições de portas abertas. O acolhimento dos estudantes que recebemos e que enviamos é, claramente, uma aposta. Os números mostram isso. Temos crescido significativamente nos estudantes que recebemos e nos que enviamos a Erasmus. A internacionalização é uma coisa que faz parte das instituições. No ponto de vista dos estudantes e na troca e partilha de professores e investigadores.

Está em marcha a alteração do RJIES. Será a última presidente do IPC, eleita no modelo em vigor. Que impacto é que o novo RJIES terá na gestão do IPC?
Este RJIES foca-se fundamentalmente nas possibilidades que abre à reorganização da rede de ensino superior. Do ponto de vista de gestão, julgo que não influencia diretamente, tendo em conta as alterações que são propostas. A mais gritante é a passagem a Universidade Politécnica, uma vez que cumprimos as condições impostas. Teremos que reajustar os instrumentos de gestão e legais à nova realidade, mas não do ponto de vista de gestão.

É inevitável falar na integração do IPC na UC. Foram dados passos nesse sentido. Qual é a sua perspectiva em relação a esta questão?
Estamos precisamente em período de auscultação. Internamente, em termos de IPC, pedimos a realização de um estudo isento, sobre os vários cenários na estratégia do IPC para o futuro, para os próximos 10, 20 anos. A integração é um desses cenários. Mas temos outros. É isso que estamos a discutir internamente e que já discutimos e começámos a discutir com um estudo preliminar na última reunião do Conselho Geral. É isso que faremos nas próximas reuniões. Este não é um assunto que se decida de um dia para o outro. É preciso ouvir, que os membros do Conselho Geral que representam as comunidades e as escolas discutam o assunto de forma desapaixonada e com sentido muito fiel ao que é o interesse da coletividade e não interesses pessoais, mas é apenas uma auscultação. Quer o senhor reitor, quer eu, fomos mandatados para termos conversas informais, mas a decisão não é nem do reitor, nem da Presidente do IPC. A decisão de integrar ou não integrar, de continuarmos a ser uma Universidade Politécnica ou outro qualquer tipo de cenário, não passa pela vontade da presidente do Politécnico. É uma vontade do Conselho Geral do IPC e da Universidade de Coimbra. Eles decidirão o que é melhor para as instituições, mas isso é uma decisão dos Conselhos Gerais. As decisões não podem ser tomadas de ânimo leve e é preciso que a comunidade seja convocada a refletir sobre o assunto. E estas reflexões não podem tomar-se de um dia para o outro. Aliás, a moldura legal que nos permitirá fazer a integração, se for essa a vontade dos dois Conselhos Gerais, foi promulgado terça-feira. Vai ter de ser publicado e só depois os Conselhos Gerais terão legitimidade com o novo RJIES de pensar no futuro das instituições. A única coisa que lhe poderei dizer, enquanto presidente e enquanto pessoa, é que o IPC terá uma posição única. Não há aqui posições parciais. Somos uma entidade única, formada por diferentes escolas. Quando for tomada a decisão, será uma decisão do IPC, a envolver a sua comunidade geral. Seja a opção A, B, C ou D deve ser uma opção do IPC e não de forma desintegrada.

O IPC terá uma posição única [em relação à integração na UC]. Não há aqui posições parciais. Somos uma entidade única

Quanto poderá demorar o processo de decisão?
Depende muito das convicções. Há decisões que não podem esperar muito, porque senão perdem a efetividade. Eu acho que os Conselhos Gerais devem ter essa noção. Quando determinada decisão demora muito tempo, quer dizer que não se quer decidir. Ou pelo menos que não queremos decidir nós. Isto é claramente uma responsabilidade dos Conselhos Gerais. Repare, falamos que o RJIES impõe a formação de uma comissão estatutária para fazer os novos estatutos. O prazo é muito curto. Temos oito meses para fazermos as alterações estatutárias, à luz das novas imposições do RJIES, portanto oito meses é um instante. Diria que são oito meses em que as instituições têm que tomar uma decisão.

Hoje assinala-se o dia do IPC. O seu primeiro como presidente do Politécnico de Coimbra. Que mensagem deixará à comunidade, à cidade, aos estudantes, mas também ao ministro da Educação, que estará presente?
Quero deixar duas mensagens. A primeira de gratidão e reconhecimento à equipa que tenho ao meu lado. Se tive um ano difícil, eles não tiveram um ano melhor. Foi um ano de muita entrega, muita abnegação pessoal, comprometemos até muitas vezes o que devíamos priorizar do ponto de vista familiar. Porque havia prazos para responder e para cumprir. Não posso, no Dia do IPC, não deixar esta mensagem de agradecimento e reconhecimento à comunidade.

Depois dizer aos representantes das entidades e às forças vivas da cidade e da região às quais não nos dedicámos com a intensidade que eu gostaria.

Continuámos, portanto, a ter proximidade. Continuamos a fazer essas ligações à sociedade e ao tecido empresarial, a ter projetos de investigação, projetos de extensão à comunidade.

Continuamos a ter esses projetos todos e a executar esses projetos. Mas eu quero qualquer coisa de maior proximidade, quero tornar mais efetivos os desafios que alguns representantes de Câmara nos colocaram em cima da mesa. Para nós respondermos de forma efetiva a determinados desafios, nós temos que ter disponibilidade mental para o fazer e, até agora, a disponibilidade mental esteve focada em prazos, em cumprimentos, em execuções, foi nisso que nós estivemos focados. Volvido este período de obrigatoriedade de cumprimentos de PRR, então, sim, nesta altura, somos capazes de estar mais virados para fora estreitarmos as relações que temos com a sociedade, darmos resposta às câmaras municipais, darmos resposta às entidades da nossa sociedade, da nossa cidade, da nossa região. É por aí que queremos, claramente, apostar durante o próximo ano de mandato.

Julho 9, 2026 . 08:00

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