
Professor, vice-campeão universitário, Desporto Escolar e os “ dois braços”
Além de treinador, é professor. Até que ponto uma profissão influencia a outra?
Influencia muito. A vertente pedagógica é fundamental naquilo que faço como treinador. Curiosamente, houve uma altura em que todos os treinadores da Academia eram professores de Educação Física. Isso não acontecia por acaso. Sempre demos muita importância à formação da pessoa antes da formação do jogador. Ser professor ajuda-me a perceber como cada atleta aprende, como devo comunicar com ele e como adaptar a minha forma de ensinar. Hoje dou aulas no ensino básico, secundário e também no ensino superior, por isso lido diariamente com jovens de idades muito diferentes. No fundo, a minha vida é um processo permanente de ensino e aprendizagem. Às vezes torna-se cansativo, porque passo o dia inteiro a ensinar, na escola, na universidade e depois no clube. Mas também é verdade que aqui existe uma diferença muito importante: os jogadores estão porque querem. Estão motivados e fazem aquilo de que gostam. Isso muda completamente a dinâmica do trabalho.
Esta época não se resumiu à Academia. Foi também bicampeão distrital e regional no Desporto Escolar e vice-campeão nacional universitário. Como consegue gerir tantos projetos ao mesmo tempo?
Às vezes, nem eu sei muito bem. Sempre fui uma pessoa de projetos. Nunca gostei muito de chegar a um sítio apenas para fazer uma época. Quando aceito um desafio, é para construir alguma coisa. Na Academia já lá vão 15 anos. Passei oito anos na Associação Académica de Coimbra, depois estive ligado ao futsal universitário e agora regressei. No Desporto Escolar também já levo muitos anos. Como sou professor, é natural que acabe por estar ligado ao futsal escolar. Este ano surgiu ainda o desafio do Instituto Politécnico de Coimbra, até porque muitos dos meus jogadores estudam lá. No fundo, as oportunidades vão aparecendo e tenho dificuldade em dizer que não. Fisicamente começo a sentir algum desgaste, isso é verdade. Mas a motivação continua a ser enorme. Quando entro num projeto, entro para ganhar. Não consigo trabalhar de outra forma. Não sei dizer aos meus jogadores para entrarem apenas para participar. Não faz parte da minha maneira de estar. Este ano foi extraordinário. Fomos bicampeões distritais e regionais no Desporto Escolar e, logo no primeiro ano do projeto do Instituto Politécnico de Coimbra, chegámos ao ‘título’ de vice-campeões nacionais universitários. Enquanto os resultados aparecerem e sentir que o trabalho está a dar frutos, acredito que a motivação continuará lá. Um dia isso deixará de acontecer. É normal. Talvez nessa altura deixe um ou dois projetos e abrande um pouco. Mas, por enquanto, ainda sinto essa vontade de continuar.
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