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Casa Museu Fernando Namora enriquecida com novas obras

Espaço cultural assinalou 36 anos e entra numa nova fase. Em dia de doação de espólio pela família Varela foi também lançado concurso para aproximar jovens da obra de Namora

A Casa Museu Fernando Namora, em Condeixa-a-Nova, passa a exibir um conjunto de nove pinturas, fruto de um voto de confiança da família Varela que, esta terça-feira, doou as peças ao município, numa cerimónia que assinalou os 36 anos do espaço cultural.
Este depósito integra cinco obras com a assinatura do próprio Fernando Namora - que encontrou, na pintura, uma outra vocação, menos conhecida do público - e quatro obras da autoria de ilustres pintores condeixenses: Manuel Filipe, Joaquim Melâneo e José Ventura. «Ao transitarem da esfera privada para a fruição pública, este conjunto de obras acaba por reforçar substancialmente a identidade cultural de Condeixa», refere em comunicado, a Câmara Municipal.

Esta cedência, de acordo com a autarquia, encontra as suas raízes numa profunda amizade e afinidade intelectual partilhadas entre Fernando Namora e Artur Varela desde a juventude. Esta ligação ficou desde logo inscrita em 1937, com a publicação do primeiro livro de Namora, a obra de contos “Cabeças de Barro”, escrita em coautoria com Artur Varela e Carlos de Oliveira. A atestar a importância deste momento e a estreita relação familiar, marcaram presença na cerimónia Ana Luísa Varela e Sónia Varela, netas de Artur Varela. O evento contou ainda com a presença de Arminda Namora, filha de Fernando Namora.

Numa sessão comemorativa em que a presidente da Câmara Municipal, Liliana Pimentel, apresentou a nova estratégia cultural e de programação delineada para revitalizar o espaço e o legado do autor, foi ainda apresentado o concurso “Olhares sobre Fernando Namora”, que, pela expressão literária, plástica e multimédia, pretende aproximar a obra do escritor das gerações mais jovens. O concurso destina-se às escolas inseridas na “geografia namoriana”, procurando estimular o estudo da vida e obra do autor.
«Para honrar verdadeiramente o legado de Namora, é imperativo trazer a sua obra para o centro do debate contemporâneo», defendeu, na ocasião, Liliana Pimentel, frisando que o Município, em articulação com a Comissão Cultural da Casa Museu, está a desenvolver uma nova estratégia cultural e de programação que visa projetar a obra do escritor para o centro das discussões e dinâmicas contemporâneas, reforçando a importância do seu legado para as novas gerações.

Município reivindica Namora nos currículos escolares

O arranque da nova fase da Casa Museu coincidiu com as comemorações do nascimento de Fernando Namora, assinaladas a 15 de abril. No contexto do debate e consulta pública das Aprendizagens Essenciais, a efeméride constituiu desde logo uma oportunidade para o Município reivindicar o lugar que a obra de Namora deveria ter nos currículos escolares nacionais. De forma a demonstrar a pertinência intemporal do autor, estão ainda a ser definidos eixos de ação focados em públicos estratégicos. Aqui destaca-se a associação da obra de Namora à formação de professores e, de forma inovadora, aos profissionais de saúde, uma vertente que será explorada através da consolidação de uma área de estudos dedicada ao tema “Literatura e Medicina”.

Julho 2, 2026 . 08:45

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